FX no Reino Unido Hoje: Libra Esterlina aguarda o próximo teste do mercado de trabalho

O GBP recuou levemente frente ao USD, negociado próximo de 1,3555, após a recuperação do dia anterior. O câmbio britânico permanece sob pressão no mercado, pressionado por preocupações contínuas sobre a saúde do mercado de trabalho no Reino Unido antes da divulgação dos dados de emprego na próxima terça-feira.

Investidores observam esses números com cautela, pois o Banco da Inglaterra (BoE), que reúne-se para a decisão de política monetária na próxima semana, pode ajustar seu ciclo de cortes de juros conforme as condições do mercado de trabalho.

Nesse cenário, a volatilidade de GBP/USD pode aumentar caso os dados de emprego confirmem um enfraquecimento mais acentuado da economia britânica.

Mercado de trabalho desacelerando gradualmente

De acordo com a Office for National Statistics (ONS), o número de pessoas empREGadas caiu 164 mil ano a ano e 8 mil entre junho e julho de 2025, para 30,3 milhões.

Este é o décimo mês de queda nos últimos 12, principalmente nos setores de hotelaria, alimentação e varejo.

A taxa de desemprego ficou em 4,7% no período abr-jun, frente a 4,6% no trimestre anterior. Contudo, essa aparente estabilidade esconde uma realidade mais preocupante.

Segundo o Resolution Foundation, a taxa de desemprego pode chegar rapidamente a 5%, maior desde 2021. Como disse Gregory Thwaites, Diretor de Pesquisa do think tank: “a desaceleração do mercado de trabalho ocorre na forma de uma pausa nas contratações, em vez de uma onda de demissões, o que continua sendo más notícias para quem procura emprego”.

Vagas caem, desemprego entre jovens em risco

As vagas caíram 5,8% no trimestre maio-julho, para 718 mil, o menor patamar desde abril de 2021, segundo a ONS.

Este é o 37º recuo trimestral consecutivo no número de vagas. O recuo reflete a relutância das empresas, especialmente diante do aumento dos custos salariais: elevação do National Living Wage de £11,44 para £12,21, alta na contribuição do seguro nacional do empregador (NI) de 13,5% para 15% e ajuste do limiar de isenção de impostos.

Como aponta Stephen Evans, CEO do Learning and Work Institute: “o mercado de trabalho continua a esfriar, com perdas marcadas de empregos no varejo e na hospitalidade. Isso resulta da combinação de uma economia frágil, aumento do salário mínimo e custos trabalhistas mais altos.”

Os jovens britânicos são especialmente vulneráveis. A taxa de desemprego entre 16 e 24 anos ficou em 14,1% no período de abril a junho, e o número de jovens nem em emprego nem em formação (NEET) é de 1,22 milhão.

Segundo a economista-chefe Helen Gray: “o desemprego de longo prazo entre jovens está em alta e pode ter um efeito duradouro nas perspectivas de carreira.”

Salários em alta, mas sob pressão

Apesar da desaceleração do mercado de trabalho, o crescimento salarial permanece robusto. Dados do ONS mostram alta de 5,0% nos salários, sem bônus, entre abril e junho.

No entanto, esse crescimento começa a ceder, principalmente no setor privado, onde o aumento foi de 4,8%, ante 5,7% no setor público.

Em termos reais, os salários ainda sobem 0,9%, o que pode dar ao BoE algum espaço para cortar juros, dependendo da evolução dos dados.

Mas, como aponta Monica George Michail, economista associada do National Institute of Economic and Social Research: “a queda nas vagas tende a frear o crescimento salarial no futuro”.

Essa desaceleração seria bem-vinda ao BoE, que precisa equilibrar crescimento lento com a inflação ainda acima da meta de 2% (4,1% em junho).

Análise Técnica de GBP/USD: o Cable ainda encontra resistência

O par GBP/USD reagiu após tocar uma linha de tendência de curto prazo em 1,3525, indicando uma reversão em pauta de alta após a formação de bandeira na quinta-feira.

No entanto, o Cable não está longe de uma resistência importante em torno de 1,3590, nível que tem barrado avanços desde julho. Romper esse patamar é necessário para vislumbrar uma aceleração de alta.

No lado negativo, a liquidação da bandeira abaixo de 1,3525 poderia favorecer um recuo mais forte em direção à média móvel de 100 períodos no gráfico de 4 horas, atualmente em 1,3490.