O dólar dos EUA recuou na quinta-feira, com o US Dollar Index (DXY) caindo cerca de 0,3% na sessão, pressionado por dados de inflação recentes.
A atenção do mercado se volta para a divulgação do Índice de Confiança do Consumidor de Michigan para setembro, marcada para sexta-feira às 14:00 GMT.
Os analistas esperam uma leitura em torno de 58,0, próxima aos 58,2 de agosto, após a queda de julho impulsionada por preocupações com inflação e condições de compra mais restritas para bens duráveis.
Em meio a um cenário de política monetária incerta, esse indicador pode reacender o debate sobre o caminho da taxa de juros do Federal Reserve (Fed).
Investidores ficarão atentos a qualquer sinal de melhoria ou deterioração da confiança do consumidor, um barômetro crucial para o ritmo dos gastos e do impulso econômico dos EUA.
Confiança em meio a tensões econômicas
O Michigan Consumer Confidence Index, compilado pela Universidade de Michigan, ficou em 58,2 em agosto, abaixo de 61,7 em julho, marcando a primeira queda em quatro meses.
Essa redução, ainda moderada, aponta para uma volta à cautela entre as famílias americanas. Conforme explicou a diretora da pesquisa, \”a queda na confiança é generalizada, independentemente de renda, idade ou riqueza.\”
As famílias permanecem preocupadas com a alta contínua dos preços: 43% dos entrevistados dizem que a inflação está reduzindo seu padrão de vida, a maior parcela em cinco meses.
As condições de compra de bens duráveis também pioraram, alcançando o menor nível em um ano, particularmente para automóveis, afetados por preços elevados e tarifas aduaneiras. Quase 62% dos consumidores citaram tarifas como fator negativo, o maior nível desde maio.
Essa deterioração na percepção econômica vem acompanhada de pessimismo crescente sobre o mercado de trabalho. Em agosto, 63% dos pesquisados esperavam desemprego crescente nos próximos 12 meses, contra 37% há um ano.
As expectativas de inflação seguem contidas, com uma projeção de alta de preços em um ano de 4,8%, alinhada com as tensões tarifárias crescentes.
Análise técnica do DXY: o dólar recua acompanhando a tendência
O índice do dólar recua na sessão, rompendo abaixo de um suporte estático em 97,60, o que pode reforçar a pressão de baixa no curto prazo.
A queda que persiste desde agosto continua, com o USD em um canal de baixa no gráfico de 4 horas.
Uma saída deste canal, atualmente entre 97,25 e 98,55, é necessária para que haja impulso mais expressivo, tanto para quedas quanto para altas.
Enquanto a trajetória permanece fortemente influenciada pela expectativa de um corte dos juros pelo Fed em setembro, os dados de sexta-feira podem oferecer novas informações sobre a magnitude do corte e sobre o caminho que o Fed pode seguir no restante do ano, influenciando, é claro, o preço do dólar.