O Índice Dólar (DXY) está em alta nesta quinta-feira, enquanto aguardam os dados do PCE – o índice de preços de consumo pessoal, considerado a medida preferida do Fed para inflação – que serão divulgados na sexta-feira às 12:30 GMT. O DXY pode influenciar fortemente as perspectivas de política monetária e, consequentemente, o caminho do dólar.
Antes da divulgação do relatório de agosto, os mercados buscam confirmar ou descartar o cenário de mais dois cortes de juros do Fed até o fim de 2025, o que torna o dólar particularmente sensível a qualquer surpresa inflacionária.
O PCE: o teste definitivo para o Fed
Espera-se que o PCE de agosto registre alta de 2,7% na leitura anual do índice agregado, ante 2,6% no mês anterior, e que o núcleo do PCE fique em 2,9% na comparação anual, estável frente a julho. O presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou em discurso recente que a inflação segue em uma trajetória alta, porém relativamente estável.
A divulgação de sexta-feira será decisiva. Um núcleo de PCE acima de 2,9% poderia reacender temores de um período prolongado de altas taxas, ou mesmo de uma reversão parcial do aperto iniciado em setembro. Por outro lado, confirmação de arrefecimento da pressão inflacionária fortaleceria o cenário de cortes adicionais.
Como aponta Kyle Rodda, da Capital.com, esses dados vão testar a capacidade do Fed de continuar com os cortes sem abalar a credibilidade na ancoragem das expectativas de inflação.
Serviços, bens e aluguéis: a dinâmica real da inflação
Uma análise da composição da inflação revela pressão teimosa, especialmente em serviços não ligados a moradia. Um estudo recente da Dallas Fed mostrou que serviços não habitacionais contribuíram com 1,9 ponto percentual para a inflação núcleo em 12 meses, bem acima de níveis compatíveis com 2% de inflação.
Esses aumentos respondem, em parte, à demanda contínua por serviços de alto valor agregado, mas também a componentes mais voláteis como taxas de gestão de carteira, fortemente influenciadas pela oscilação do mercado de ações.
O setor de bens, que já ficou em disinflation por muito tempo, demonstra sinais de recuperação devido à transmissão gradual das novas tarifas impostas pela administração do presidente Trump, que já provocaram um aumento de 0,10 ponto na inflação núcleo em agosto, segundo economistas da Goldman Sachs.
Preston Caldwell, economista-chefe da Morningstar, alertou que as tarifas reacendem pressões inflacionárias, com impacto que tende a se espalhar pela economia nos próximos meses.
Análise técnica do DXY: possível quebra de tendência em alta
O Dólar Americano rompeu recentemente uma linha de resistência descendente, sinalizando uma possível reversão de curto prazo com alvos em torno de 98,85 e 99,00. Contudo, retornar ao canal e cair abaixo de 98,20 pode anular o momentum positivo, abrindo espaço para uma queda até a média móvel de 100 períodos no gráfico de 4 horas, antes de alcançar o limite inferior do canal em 97,00.