O dólar dos EUA opera com cautela nesta quarta-feira, recuando levemente conforme o DXY, enquanto os mercados aguardam o CPI de agosto para sinalizar o próximo movimento de política monetária.
Expectativa com o CPI O CPI será divulgado na quinta-feira às 12:30 GMT, e pode se tornar o fator decisivo para a próxima decisão do Federal Reserve, marcada para 16-17 de setembro.
Apesar de o PPI ter caído 0,1% na divulgação de hoje, o dólar teve queda modesta de 0,1% na sessão, indicando que a inflação ainda está no radar dos investidores.
O CPI completa o quebra-cabeça para calibrar cortes de juros. Segundo o CME FedWatch, o mercado projeta hoje uma probabilidade de cerca de 90% de um corte de 25 pontos-base, com apenas 10% atribuído a 50 pontos-base.
Inflação ainda persistente
Economistas concordam com o diagnóstico de que a inflação nos EUA continua resistente, especialmente em serviços. A Bank of America aponta alta de 0,3% em agosto tanto no índice geral quanto no núcleo, elevando a inflação anual para cerca de 2,9% e mantendo o núcleo estável em 3,1%.
A Goldman Sachs vai além, estimando o núcleo em 3,13% na comparação anual, pressionado por preços de carros, passagens aéreas e, principalmente, itens sujeitos a tarifas externas.
“Tarifas continuam alimentando a inflação, em categorias como comunicações, móveis e lazer”, afirmam os economistas do banco.
Para Frank Lee, da Morningstar, esses aumentos refletem uma lógica de “fogo lento”: não é um choque único, mas uma alta gradual de custos e interrupções na cadeia de suprimentos que afetam as famílias.
Dilema do Fed: entre baixo emprego e inflação persistente
A imagem macroeconômica fica cada vez mais complexa para o Fed. Por um lado, o mercado de trabalho mostra fragilização, com revisões para baixo de centenas de milhares de vagas, elevando a taxa de desemprego para 4,3%, a mais alta desde 2021. Por outro, a inflação permanece acima da meta de 2%.
“A combinação de preços, renda e riqueza é tóxica para o crescimento”, alerta James Knightley, economista da ING.
Assim, o Fed precisará arbitrar entre o seu mandato de estabilidade de preços e o pleno emprego. Um corte é provável, mas uma inflação mais alta pode retardar o ritmo de novos cortes no restante do ano.
Análise técnica do DXY: tendência de baixa persistente
O índice do dólar recua nesta quarta-feira e testa um suporte estático em 97,60, limitando a queda por ora. A tendência de baixa persiste desde agosto, com o dólar operando dentro de um canal de baixa no gráfico de 4 horas.
Uma ruptura desse canal, entre 97,25 e 98,55, seria necessária para conferir um impulso mais expressivo, tanto para baixo quanto para cima.
Com o mercado ainda antecipando um corte de juros do Fed em setembro, os dados de inflação de quinta-feira podem esclarecer a extensão do corte e a trajetória de atuação do Fed até o final do ano, o que pode influenciar o preço do dólar.
O dólar à vista do CPI e do Fed
O dólar permanece relativamente firme enquanto aguarda o veredito da inflação. Entre tensões tarifárias, inflação persistente e um mercado de trabalho mais fraco, o Fed terá que conduzir uma política cuidadosa.
O relatório de quinta pode ser o ponto de inflexão que redefine o caminho dos mercados para o resto do ano.