Kevin Warsh, indicado à presidência do Fed, deve reafirmar compromisso com a independência monetária

Kevin Warsh, o indicado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para substituir Jerome Powell como o próximo presidente do Federal Reserve (Fed), prestará depoimento perante o Comitê Bancário do Senado nesta terça-feira.

De acordo com as observações preparadas de Warsh, divulgadas na segunda-feira, ele dirá aos parlamentares que está “comprometido em garantir que a condução da política monetária permaneça estritamente independente”. Warsh argumentará que um Fed orientado por reformas pode fazer uma diferença real e enfatizará seu compromisso em “trabalhar com a administração e o Congresso em assuntos não monetários que fazem parte das atribuições do Fed”.

Após a leitura de sua declaração, Warsh responderá a perguntas dos membros do comitê. Atualmente, a ferramenta CME FedWatch mostra que os mercados estão precificando uma probabilidade de cerca de 60% de o Fed manter a taxa de juros inalterada na faixa de 3,5% a 3,75% até o final de 2026.

Em janeiro, quando Warsh foi oficialmente indicado, o mercado previa três cortes de 25 pontos-base para este ano. No entanto, as expectativas mudaram drasticamente devido à disparada nos preços do petróleo bruto, que alimentou temores inflacionários após operações militares conjuntas dos EUA e Israel contra o Irã.

Embora Warsh deva ser questionado sobre potenciais medidas de afrouxamento monetário no curto prazo, é provável que ele evite oferecer preferências claras, dada a incerteza geopolítica no Oriente Médio. Com isso, a reação do mercado ao seu testemunho pode ser contida, com os investidores mantendo o foco nas notícias sobre o conflito entre EUA e Irã.

O presidente Trump afirmou na segunda-feira que uma extensão do cessar-fogo entre EUA e Irã, que expira nesta quarta-feira, é “altamente improvável”. Apesar de relatos sobre uma possível segunda rodada de negociações, o negociador-chefe do Irã, Mohammed Bagher Ghalibaf, declarou que não aceitará negociações “sob a sombra de ameaças”.