Resumo: O estrategista Francesco Pesole da ING aponta que o tom hawkish do BCE mantém as trajetórias de juros de curto prazo da zona euro mais firmes, em contraste com os EUA, onde a Fed pode ser precificada com cortes com mais facilidade. A ING vê essa assimetria elevando o potencial de alta do EUR/USD e de outros pares com euro, mantendo, no entanto, uma projeção cautelosa para o fim do 2º trimestre de 1,160, sem ações do BCE e com duas reduções da Fed.
Expectativas do BCE fortalecem a resiliência do euro
Segundo a leitura da ING, o BCE tem apenas o mandato de inflação, e seus membros têm mostrado uma posição mais firme. Recentemente, o membro mais dovish, Fabio Panetta, citou a necessidade de evitar uma espiral salário-preço e enfatizou que ações devem ser proporcionais, sinalizando abertura para eventual aperto de juros.
Esses comentários elevam a chance de que as taxas do front-end do euro permaneçam estáveis, mesmo com o petróleo em baixa, caso os mercados exijam mais clareza hawkish para precificar cortes. Hoje, houve uma revisão para baixo das apostas de aperto do BCE, para 63bp, mas as probabilidades hawkish permaneceram relativamente robustas.
Um cenário em que a curva de swap do USD se reprecifica para baixo com mais facilidade do que a da EUR, em um recuo do petróleo, aumenta o potencial de alta do EUR/USD.
Isso também destaca o euro frente a outras moedas cujo viés de juros pode ser mais sensível a ajustes dovish (p.ex., SEK, GBP) ou mais exposto à variação do preço do petróleo (CAD, NOK).
Como cenário-base, mantemos a hipótese de sem ação do BCE e com duas quedas da Fed, mantendo uma previsão cautelosa de EUR/USD em 1,160 para o fim do 2º trimestre.