EUR/GBP avança com inflação da Zona do Euro mais firme e BoE adota postura cautelosa

EUR/GBP opera perto de 0,8715 nesta sexta-feira, com leve alta de 0,06% no dia, enquanto o euro encontra suporte moderado por dados de inflação mais fortes na Zona do Euro, enquanto a libra esterlina fica limitada por sinais cautelosos do Banco da Inglaterra (BoE).

Do lado europeu, os números de inflação reforçam o cenário para a moeda única. Os dados revisados divulgados na quinta-feira mostram que o índice de preços ao consumidor harmonizado (HICP) da Zona do Euro subiu 1,3% mês a mês em março, acelerando de 0,6% em fevereiro e superando levemente a estimativa preliminar de 1,2%. Em termos anuais, a inflação foi revisada para 2,6%, acima de 1,9% anteriormente, marcando o maior nível desde julho de 2024. A inflação núcleo, que exclui energia, alimentos, álcool e tabaco, desacelerou levemente para 2,3% ao ano, de 2,4% no mês anterior.

Este cenário pode incentivar o BCE a adotar um tom mais hawkish na próxima reunião de política monetária, marcada para 29-30 de abril. Por enquanto, os policymakers mantêm uma postura cautelosa. A presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou recentemente que a instituição precisa permanecer “totalmente ágil” em relação às taxas de juros, enfatizando que não há viés para aperto.

Ainda que a retórica seja contida, os mercados continuam a precificar um ciclo de aperto gradual. Segundo a Reuters, os traders veem hoje apenas cerca de 20% de probabilidade de alta de juros em abril, mas o primeiro aumento de 25 pontos-base até junho já está quase plenamente precificado, com um segundo movimento esperado ainda no decorrer do ano.

Enquanto isso, a libra esterlina permanece sob pressão mesmo após dados de crescimento do Reino Unido superarem as expectativas. O Office for National Statistics (ONS) informou que o PIB do país cresceu 0,5% mês a mês em fevereiro, superando substancialmente a previsão de 0,1%. Embora isso tenha sugerido impulso econômico, analistas alertam que os números podem refletir condições anteriores à escalada das tensões geopolíticas associadas ao conflito no Irã.

O governador do BoE, Andrew Bailey, reforçou essa postura cautelosa, afirmando que os responsáveis pela política não vão apressar decisões sobre aumentos de juros enquanto a economia global absorve o choque energético desencadeado pela guerra no Médio Oriente. Ele ressaltou que, embora preços mais altos de petróleo e gás pesem sobre a inflação, outras incertezas tornam o cenário de política monetária particularmente complexo.

A diretora Megan Greene também sugeriu que os mercados estavam corretos em reduzir as expectativas de aperto agressivo, observando que a precificação de dois ou menos aumentos neste ano parece amplamente adequada.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional (IMF) reduziu recentemente a projeção de crescimento do Reino Unido para 2026 para 0,8%, de 1,3% anteriormente, destacando a vulnerabilidade aos impactos da guerra no Irã. Essa visão macroeconômica mais fraca continua a limitar a capacidade da libra de se valorizar frente ao euro no curto prazo.