Empregos não agrícolas dos EUA devem subir 60 mil em março

O Departamento de Trabalho dos EUA (BLS) divulgará os dados de Nonfarm Payrolls (NFP) de março na sexta-feira, às 12:30 GMT. O relatório analisa a criação de vagas em todos os setores não agrícolas e é visto como um indicador-chave da saúde do mercado de trabalho.

Com os olhos voltados para a política monetária, investidores vão examinar os componentes subjacentes para entender se o Federal Reserve (Fed) deverá manter ou aumentar as taxas ao longo do ano. Apesar disso, a reação inicial do mercado pode permanecer contida devido ao feriado de Sexta-Feira Santa, mantendo os volumes de negociação baixos.

O que esperar do próximo relatório de Nonfarm Payrolls?

A previsão é de um incremento de aproximadamente 60 mil vagas, recuperando parte da queda de 92 mil observada em fevereiro. A taxa de desemprego é esperada em 4,4% e a inflação salarial anual, medida pela variação dos ganhos médios por hora, deve permanecer em torno de 3,8%.

Antes do anúncio, analistas da TD Securities indicam uma alta modesta de 30 mil vagas em março. A reversão de efeitos sazonais e de greves pode deixar a composição do emprego parecida com o fim de 2025, com suporte destacado pelo setor de saúde. Mantém-se a previsão de uma taxa de desemprego estável em 4,4%, com risco de alta. O ganho médio por hora tende a subir apenas 0,2% mês a mês, o que representaria cerca de 3,6% ao ano.

A ADP divulgou, no início da semana, que as contratações no setor privado aumentaram 62 mil em março, após 66 mil em fevereiro (revisado de 63 mil). A visão da ADP aponta uma contratação sólida, mas com crescimento mais forte em setores como saúde. Já o ISM Manufacturing PMI registrou 48,7 em março, sinalizando contração contínua no setor manufatureiro.

Outras projeções de instituições europeias também apontam números próximos a 30 mil para o NFP, com a taxa de desemprego subindo para 4,5%. Indicadores recentes, incluindo quedas nas vagas diárias e no ritmo semanal de emprego privado, sugerem um mercado de trabalho mais brando.

Como o NFP de março pode impactar o EUR/USD?

O dólar americano ganhou fôlego em março, beneficiado pela aversão ao risco e pela expectativa de uma postura mais hawkish do Fed, com os preços do petróleo subindo. O Dólar dos EUA (DXY) avançou mais de 2% em março, gerando volatilidade nos primeiros dias de abril.

Comentando o mercado, o presidente do Fed, Jerome Powell, argumentou que há tensão entre os mandatos de manter o pleno emprego e a estabilidade de preços, destacando que o Fed está pronto para avançar se necessário e que a posição atual permite observar as condições com cautela.

Enquanto isso, o presidente do Fed de NY, John Williams, reconheceu que o mercado de trabalho envia sinais, mas a menor taxa de contratação pode alimentar um ceticismo econômico. Segundo a ferramenta CME FedWatch, o mercado vê aproximadamente 80% de probabilidade de que a taxa de juros permaneça entre 3,5% e 3,75% até o fim de 2026; no início de março, chegava a 92% a probabilidade de cortes no ano.

Um resultado do NFP acima do esperado pode reaproximar a possibilidade de alta de juros e impulsionar o USD; já um resultado fraco, especialmente com aumento da taxa de desemprego, pode dificultar a performance do USD frente a outras moedas, mantendo o EUR/USD sob pressão.

Especialistas destacam que um resultado acima de 70 mil poderia provocar revisões de política por parte do Fed, enquanto um número inferior a 50 mil, aliado à alta do desemprego, poderia dificultar a valorização do dólar.

Do lado técnico, analistas observam que o EUR/USD permanece com viés de baixa no curto prazo, com resistência ao redor de 1,1680-1,1700 e suporte próximo de 1,1430-1,1400. Caso o USD se fortaleça, o par pode alcançar 1,1600 e, em seguida, 1,1680-1,1700, conforme as médias móveis de 100 e 200 dias.

Para maiores informações, o relatório completo do NFP e suas implicações para o dólar continuam a ser acompanhados de perto por traders e investidores globais.