Resumo do cenário
O Deutsche Bank elevou sua projeção para o preço do ouro, estimando uma faixa entre 3.950 e 4.950 dólares por onça para 2026. A mudança reflete, principalmente, a demanda persistente dos bancos centrais e um clima de incerteza que tende a sustentar o metal como ativo de proteção.
Fatores que sustentam a aposta
A leitura dos dados do terceiro trimestre aponta para uma demanda contínua de bancos centrais. O quadro estrutural mostra demanda inelástica de bancos centrais e de ETFs, desviando parte da oferta do segmento de joias e sinalizando que a demanda cresce mais rápido que a oferta.
Outra observação importante é que o ouro costuma reagir positivamente ao risco. Uma correção mais profunda no mercado de ações poderia tornar o cenário menos favorável, enquanto nossa visão interna aponta para menos cortes de estímulo por parte da autoridade monetária em 2026 do que o previsto pelo mercado. Um desfecho negociado do conflito Rússia-Ucrânia poderia ter impacto negativo temporário, mas não compromete a tendência de médio prazo.
Além disso, a elevação da projeção tem efeitos de contágio para outros metais preciosos. A oferta restrita ao longo de vários anos permite que prata, platina e paládio participem com mais vigor da consolidação do ouro. Taxas de aluguel elevadas indicam escassez física que afeta usuários industriais, muitos dos quais preferem alugar a possuir. Mantemos expectativa de déficit para prata e platina no próximo ano, enquanto o paládio permanece em equilíbrio.