Choque no petróleo eleva a viabilidade da troca de combustível no setor marítimo, aponta ING

O conflito no Oriente Médio e o fechamento do Estreito de Hormuz elevaram drasticamente os custos de bunker baseados no petróleo, melhorando o apelo relativo do GNL. Modelos da ING mostram que a alta do preço do GNL é mais lenta que a do MGO (Marine Gas Oil), tornando-o a opção de cobertura mais atraente no curto prazo e um combustível comercialmente convincente para a transição de descarbonização no setor marítimo.

“Nossa análise traduz o risco geopolítico atual em uma mensagem simples para proprietários de navios e cargas: quando os produtos derivados do petróleo disparam e o gás sobe menos, a economia relativa do GNL e, em menor grau, do metanol e até da amônia, melhora rapidamente, mesmo que o custo absoluto de todos os vetores energéticos aumente”, afirma a ING.

O mecanismo-chave é que o cenário de alta atinge mais fortemente os produtos de petróleo do que o gás e as entradas de energia. O GNL se torna a “hedge” disponível mais atraente. Em outras palavras, o choque no petróleo impulsionado por Hormuz faz com que o GNL não seja apenas uma opção de transição para descarbonização, mas também a opção comercialmente mais atraente.

“Com base em nossos números, o GNL ainda parece ser a rota de curto prazo mais forte para os proprietários de navios, pois combina emissões mais baixas com custos mais baixos em comparação com os produtos derivados do petróleo. Assim, a crise de oferta de petróleo no Oriente Médio pode acelerar a mudança de combustíveis convencionais sem necessariamente acelerar a transição para combustíveis sintéticos, como amônia e metanol. Isso recompensa o “substituto mais próximo” disponível em escala, que é o GNL”, complementa.

No ambiente atual, os proprietários de navios enfrentam incerteza significativa, pois as tensões geopolíticas em torno do Estreito de Hormuz continuam a impulsionar a volatilidade nos preços do bunker, como o MGO. Os preços elevados do MGO estão reduzindo o diferencial de custo com combustíveis sintéticos como metanol e amônia, pelo menos na Europa. No entanto, o GNL se destaca como a opção mais custo-efetiva, consolidando sua posição como a escolha preferida de combustível.