De acordo com dados de março, a China apresenta fortes sinais de divergência entre exportações e importações, reduzindo o superávit comercial para o menor nível em 13 meses. O relatório aponta que fatores sazonais e a base elevada de comparação no ano anterior pesaram sobre as exportações, enquanto o aumento dos preços de energia e de matérias-primas impulsionou as importações. Observa-se que as exportações de tecnologia permanecem resilientes, e há expectativa de maior pressão de alta nos preços de importação, à medida que persistem os riscos geopolíticos.
Superávit comercial encolhe à medida que as importações disparam
As exportações da China recuaram em março, enquanto as importações subiram. Em termos de dólares, as exportações caíram 2,5% na comparação annual (estimativas da Bloomberg: 8,6%; fev: 39,6%), e as importações avançaram 27,8% (estimativa Bloomberg: 13,9%; fev: 13,8%). Consequentemente, o superávit comercial encolheu consideravelmente, para US$ 51,13 bilhões, ante US$ 90,98 bilhões em fevereiro, o menor em 13 meses.
Do lado das importações, o forte avanço em março foi, em parte, impulsionado pelos preços globais mais altos de energia e de matérias-primas, relacionados ao conflito no Oriente Médio. As importações da China de semicondutores e computadores permaneceram firmes, acompanhadas por compras estáveis de matérias-primas como cobre e ferro. Em termos de volume, as importações de carvão e produtos de petróleo refinados aumentaram frente a março do ano anterior, enquanto o petróleo bruto e o GLP diminuíram, refletindo interrupções de suprimento no Oriente Médio e uma mudança gradual para fontes de energia alternativas.
Com os riscos geopolíticos persistindo, espera-se que os preços de importação enfrentem nova pressão de alta nos próximos meses.
A despeito do arrefecimento das exportações em março, o desempenho global do comércio no 1T26 permaneceu sólido. As exportações cresceram 14,7% na comparação anual no trimestre, enquanto as importações aumentaram ainda mais, 22,7%. A China registrou um superávit comercial acumulado de US$ 264,33 bilhões no 1T26, ligeiramente abaixo de US$ 271,09 bilhões no 1T25.
No horizonte, ainda é prematuro avaliar plenamente o impacto do conflito no Oriente Médio, mas uma escalada prolongada pode reduzir a demanda global e apresentar riscos para o panorama de exportação da China.