CHF: Intervenção, farmacêuticas e o franco — ING

Foi uma semana bastante agitada para as notícias suíças. O banco central suíço ajustou de forma prática o nível de depósitos em CHF expostos a uma cobrança de 0,25 pontos-base, segundo comunicado. O movimento é apresentado como uma limpeza técnica das reservas mínimas implementadas no ano anterior. Não parece ser um alívio ostensivo da política monetária, mas é intrigante observar como ficam as taxas no mercado de dinheiro suíço com a medida em vigor a partir de 1º de novembro. Há um risco de queda do franco, segundo analistas.

EUR/CHF permanece estável perto de 0,92/0,93 até o fim do ano

Na segunda-feira, houve uma rara declaração conjunta entre autoridades suíças e americanas sobre o uso de intervenções cambiais. O texto do SNB descreveu como uma espécie de bênção para empregar intervenções como parte da política monetária regular, enquanto a versão dos EUA enfatizou o objetivo de conter mercados desordenados ou voláteis. Isso pode explicar por que o EUR/CHF não subiu consideravelmente com o anúncio. Dados recentes indicaram que a intervenção cambial do SNB atingiu CHF 5 bilhões no segundo trimestre.

Especula-se ainda que o discurso sobre intervenções cambiais possa ter relação com acordos no setor farmacêutico que vêm sendo anunciados nos EUA. O governo pretende aproximar farmacêuticas suíças nesse momento, com planos de facilitar a oferta de medicamentos a preços reduzidos aos consumidores americanos. A Pfizer foi uma das primeiras grandes empresas a aderir a esse movimento ontem. Se essa leitura estiver correta, pode ser que a Suíça receba o apoio de Washington para manter a intervenção cambial, evitando assim a etiqueta de manipulador de moeda.

Apesar do tom, a intervenção cambial do SNB deve ser maioritariamente passiva, mantendo a projeção de EUR/CHF próximo de 0,92/0,93 até o fim do ano.