Um número crescente de voos entre a China continental e o Japão está sendo cancelado, com 12 rotas importantes já suspendendo todos os serviços programados para a próxima semana, segundo dados do rastreador de mercado Flight Master. Até as 10h desta segunda-feira, os cancelamentos estavam concentrados em algumas das ligações mais movimentadas entre China e Japão, incluindo Tianjin Binhai–Kansai International, Nanjing Lukou–Kansai International e Guangzhou Baiyun–Kansai International.
A Flight Master prevê que os cancelamentos em rotas com destino ao Japão atinjam o pico em 27 de dezembro, quando a taxa deve chegar a 21,6%, o maior nível em um mês. Os cortes refletem volumes de voos planejados incomumente baixos, evidenciando demanda de viagem mais fraca e ajustes operacionais por parte das companhias aéreas neste fim de ano.
O súbito aumento de cancelamentos nas viagens China–Japão ocorre após uma deterioração acentuada nas relações bilaterais, desencadeada por comentários da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi sugerindo que o Japão poderia invocar defesa coletiva se a China atacasse Taiwan. Pequim condenou as observações como beligerantes, convocou o embaixador de Tóquio e emitiu avisos de viagem contra o Japão, sinalizando disposição de usar pressão econômica e de pessoas para punir Tóquio.
Paralelamente, a China intensificou retaliações no mar e em termos diplomáticos: patrulhas da guarda costeira perto das Ilhas Diaoyu/Senkaku, suspensão de importações japonesas de frutos do mar e uma onda de cancelamentos por grupos de turismo e companhias aéreas chinesas. Essas ações buscam reforçar a posição de Pequim sobre Taiwan, desencorajar a postura de segurança japonesa e enviar um recado aos setores empresariais e de turismo do Japão de que há custo para a mudança de política de Tóquio.