Economistas do National Bank of Canada (NBC), Matthieu Arseneau e Alexandra Ducharme, dizem que o PIB real do Canadá começou 2026 com mais fôlego, com o crescimento de janeiro acima das expectativas e dados preliminares apontando ganho sólido no primeiro trimestre. Eles ressaltam o forte crescimento do PIB per capita, mas alertam que um mercado de trabalho mais fraco, incertezas sobre o USMCA e custos de energia mais altos podem frear o impulso e manter o Banco do Canadá cauteloso.
Crescimento do 1T é sólido, mas cenário é frágil
O ano de 2026 começa com vigor no que diz respeito ao crescimento econômico. Mesmo com um cenário de março onde a atividade poderia ter ficado estável, o primeiro trimestre poderia ter avançado cerca de 1,5% em taxa anualizada.
Se a população continua a declinar, isso significaria um aumento de 2,5% no PIB per capita — o mais forte desde o segundo trimestre de 2022.
Este relatório desta manhã é tranquilizante, mas não implica que a economia canadense navegue sem dificuldades nem que o Banco do Canadá precise agir de forma agressiva diante do choque inflacionário ligado aos preços de energia.
Além disso, outros indicadores — especialmente os ligados ao mercado de trabalho — são motivo de preocupação e contrastam com o crescimento do PIB. Eles provavelmente sinalizam que a renovação do USMCA, ainda pendente neste ano, continua a reduzir o entusiasmo das empresas para contratar e investir.
Apesar de o Canadá ser um exportador líquido de petróleo — uma vantagem relativa — permanecemos céticos sobre a capacidade geral da economia de se beneficiar dos recentes desdobramentos geopolíticos.
A curva de preços futuros do petróleo invertida não sugere um retorno significativo do investimento em combustíveis fósseis.
Ganhos com melhoria nos termos de comércio devem ser amplamente compensados pelo aumento de custos de energia para as famílias.
Depois de conseguir controlar a inflação — algo que nem todos os bancos centrais alcançaram — o Banco do Canadá pode se dar ao luxo de esperar antes de aumentar as taxas, especialmente porque, no conjunto, elas não parecem particularmente estimulativas, como evidenciado pela fraqueza do mercado imobiliário, crescimento moderado do crédito e o choque de reembolso de hipotecas previsto para 2026.
