BoJ no radar: Risco de alta em junho e o impacto do choque do petróleo, segundo a TD Securities

Analistas da TD Securities, Alex Loo e Prashant Newnaha, reportaram que o Bank of Japan (BoJ) optou por manter sua taxa de juros em 0,75%. A decisão, no entanto, não foi unânime: o placar de 6 a 3 revelou três dissidentes hawkish que defenderam um aumento imediato de 25 bps.

Equilíbrio entre crescimento e inflação

O Banco Central japonês revisou drasticamente para baixo sua previsão de PIB para o ano fiscal de 2026, ao mesmo tempo em que elevou as projeções para o núcleo da inflação. O movimento reflete o impacto direto da alta nos preços do petróleo, impulsionada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Embora a manutenção da taxa em 0,75% estivesse dentro do consenso de mercado, a postura do Governador Kazuo Ueda chamou a atenção. Ueda enfatizou repetidamente os riscos de alta para o cenário de preços e os riscos de baixa para o crescimento econômico. Segundo a TD Securities, o tom do governador buscou preservar a opcionalidade da autoridade monetária, evitando um compromisso explícito com o próximo encontro.

Expectativas para Junho

O mercado de Overnight Index Swaps (OIS) já precifica cerca de 17 bps para a reunião de junho, refletindo a percepção de que o BoJ pode estar behind the curve (atrás da curva) e precisará acelerar a normalização da política monetária.

“Mantemos nossa projeção de alta para junho, embora a confiança tenha diminuído após os comentários de hoje”, afirmam os analistas da TD. Eles ressaltam que, caso o Estreito de Ormuz permaneça sob ameaça ou fechado, o BoJ pode optar por uma pausa prolongada para evitar a destruição de demanda na economia japonesa devido ao choque energético.