Michael Pfister, analista do Commerzbank, projeta que o Bank of Canada (BoC) manterá as taxas de juros inalteradas na decisão de hoje. Assim como outros bancos centrais do G10, os formuladores de política monetária canadenses devem adotar uma postura de cautela, aguardando os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio.
Essa perspectiva é reforçada pelos dados de inflação mais recentes: os números de março vieram abaixo do esperado, e o núcleo da inflação (core) finalmente estabilizou-se pouco acima de 2% após meses de volatilidade. Além disso, outros fatores pesam na decisão:
- A economia real apresenta uma recuperação bastante lenta;
- A independência energética do Canadá oferece uma proteção relativa contra choques de preços;
- A relação complexa com os EUA e as futuras negociações do USMCA geram incertezas adicionais.
De acordo com o Commerzbank, há poucos motivos para uma antecipação no aperto monetário. Mesmo que uma alta de juros se torne necessária em função do cenário geopolítico, é provável que outros bancos centrais reajam primeiro. O analista acredita que um aumento nas taxas canadenses não deve entrar na pauta antes do último trimestre do ano.
No momento, a política monetária não deve ser o fator determinante para a movimentação do dólar canadense (CAD). Em vez disso, a valorização dos preços do petróleo deve assumir o protagonismo como o principal driver da moeda.
