Banco do Japão deve subir juros com viés hawkish, pressionado pela inflação

O Banco do Japão (BoJ) deve encerrar uma semana repleta de decisões de bancos centrais com um aumento nas taxas de juros, sinalizando um aperto monetário mais agressivo no curto prazo. Mercados futuros precificam quase totalmente um aumento de 0,25 ponto percentual, elevando a taxa de referência do BoJ ao patamar mais alto em cerca de 31 anos.

Essa medida ocorre em meio a uma inflação crescente, aumento salarial e pressões da administração dos EUA. O BoJ segue o Federal Reserve (Fed) e o Banco Central Europeu (BCE) no aperto da política monetária, enquanto conflitos globais, como a situação no Estreito de Ormuz, elevam os preços do petróleo Brent acima de US$ 100, gerando preocupações sobre a oferta.

A decisão, que deve contar com o apoio da maioria do Comitê de Política Monetária, visa aproximar a política monetária de níveis considerados neutros para a economia japonesa. A aceleração do ritmo de aperto monetário é justificada pelas pressões inflacionárias, com o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho registrando a maior alta em sete meses (1,9%), próxima à meta de 2% do BoJ. O aumento salarial também sugere pressões de preços mais fortes no futuro próximo.

O cenário econômico do Japão também se mostra favorável, com o Produto Interno Bruto (PIB) superando as expectativas no segundo trimestre, com crescimento anualizado de 1,4%. Analistas, no entanto, alertam que o mercado pode estar superestimando o viés hawkish do BoJ, citando a “estratégia pró-crescimento agressiva” do Japão como um freio para uma mudança rápida na política monetária.

A decisão do BoJ pode impactar o par USD/JPY, que já registra uma queda de 2,5% em setembro. O dólar americano (USD) recuperou parte das perdas esta semana após a decisão hawkish do Fed, mas o viés de curto prazo permanece de baixa. O par USD/JPY luta para superar a resistência em 156,75, com indicadores de momentum sugerindo que ralis podem encontrar vendedores.