Autonomia estratégica do Euro e o desafio do Yuan: análise Rabobank

A Rabobank, por meio de seu estrategista global Michael Every, destaca a evolução do papel da Europa nas finanças globais. A análise surge em um momento em que o Euroclear, um dos maiores intermediários financeiros da Europa com mais de €43 trilhões em ativos sob custódia, considera aceitar títulos chineses negociados em Hong Kong como colateral, indo além dos títulos offshore atuais.

Every enfatiza que essa medida poderia apoiar os esforços de Pequim para promover a internacionalização do Yuan, justamente quando a UE busca maior autonomia estratégica e ampliar o uso global do Euro. Esse movimento é particularmente relevante nas finanças de commodities, onde a moeda única representa apenas cerca de 6% do total global no SWIFT, e ainda menos considerando que parte desse comércio é realizada no sistema CIPS da China.

Embora o Euroclear seja livre para agir, a questão geopolítica e política ganha destaque. A timing será observado pelos EUA, especialmente com a presença de Trump em Pequim. A análise sugere que, se isso for visto como uma peça de barganha europeia em um jogo de póquer geoeconômico, é crucial notar que as linhas de swap do USD já foram politizadas abertamente pelo Tesouro dos EUA através da Argentina e dos Emirados Árabes Unidos. O futuro presidente do Fed, Warsh, afirmou que até mesmo as linhas de swap do Fed não estão sujeitas à independência do banco central.