Analistas do ING, incluindo Deepali Bhargava e Francesco Pesole, argumentam que a inflação impulsionada pelos preços de energia e as pressões subjacentes firmes reforçam o cenário para uma alta de 25 pontos-base (bps) pelo Reserve Bank of Australia (RBA) na reunião de 5 de maio. Eles observam que a valorização do petróleo e a demanda doméstica resiliente mantêm os riscos inflacionários inclinados para cima, oferecendo suporte ao AUD/USD.
Viés de aperto do RBA sustenta o dólar australiano
“No geral, os dados de inflação de hoje fortalecem nossa convicção de que o RBA entregará um aumento de 25 bps na taxa de juros na próxima reunião de política monetária de maio. Com as interrupções decorrentes do conflito entre EUA e Irã mostrando poucos sinais de arrefecimento, esperamos que o RBA adote um ‘hawkish hike’ (alta com tom rígido), preservando a flexibilidade e permitindo que o Banco permaneça estritamente dependente de dados nas reuniões subsequentes”, afirmam os analistas.
O mercado ajustou as apostas para a reunião de 5 de maio de 21 bps para 18 bps após o CPI de março vir ligeiramente abaixo do consenso. No entanto, isso ainda deixa precificação suficiente para que o RBA suba os juros sem desestabilizar o mercado de títulos. A curva de juros futuros do cash rate agora incorpora um total de 60 bps de aperto até o final do ano.
O ING espera que o RBA encontre algum alívio na moderação da inflação de serviços. Contudo, o cenário de risco macroeconômico mudou para o lado positivo (upside), uma vez que preços de petróleo mais elevados tendem a gerar efeitos de segunda ordem, pressionando novamente os serviços. Com o repasse dos custos de energia para transporte e utilidade pública, a projeção é que o CPI suba para 5% YoY no segundo trimestre, superando a meta de 4,2% do RBA para junho de 2026.
“Os fundamentos, em última análise, importam mais do que o posicionamento técnico, e acreditamos que uma postura hawkish do RBA continuará a sustentar o suporte amplo para o AUD/USD”, conclui a equipe do ING.


