AUD/USD opera próximo de 0,6920 nesta quinta-feira, registrando queda de cerca de 0,35% no dia e mantendo-se próximo das mínimas do mês durante uma consolidação negativa. O par não consegue reagir com vigor, pois o dólar americano (USD) continua a encontrar forte suporte.
O sentimento de mercado permanece frágil, mesmo com declarações cordiais do governo dos EUA. Tensões no Oriente Médio associadas a novas ações de forças norte-americanas alimentam temores de escalada; nesse cenário, o USD se beneficia do seu papel de refúgio, pesando sobre o AUD.
Além disso, o cenário energético eleva as pressões inflacionárias globais. O fechamento efetivo do Estreito de Hormuz sustenta altas nos preços do petróleo, reforçando expectativas de que grandes bancos centrais, incluindo a Fed, manterão postura hawkish. Isso eleva os rendimentos de títulos dos EUA, fortalecendo o dólar.
No front doméstico, as falas do vice-governador do RBA, Christopher Kent, não trouxeram suporte decisivo para a moeda. Embora tenha destacado riscos de inflação ligados ao aumento dos preços de energia e defendido condições monetárias restritivas, a reação do mercado permaneceu contida. Isso sinaliza preocupações sobre a perspectiva econômica local.
Economistas da Commerzbank veem a Austrália diante de um dilema de estagflação, com crescimento lento e pressões inflacionárias alimentadas pela energia. Eles observam queda acentuada da confiança do consumidor e um PMI de serviços em território de contração, o que complica o caminho de política monetária. O mercado ainda precifica cerca de 54% de chance de um aperto em maio.
Em prazos mais longos, o Rabobank mantém uma visão mais otimista. O banco argumenta que a Austrália, como exportadora líquida de energia, pode sustentar seus termos de troca, abrindo espaço para o AUD/USD retornar para a região de 0,71 em três a seis meses e a 0,72 em doze meses.
No curto prazo, contudo, a combinação de dólar forte alimentado por fluxos de refúgio, rendimentos elevados nos EUA e a ausência de catalisadores domésticos sugere que o viés de baixa deve permanecer.