Gestores de reservas globais estão diversificando silenciosamente suas posições, afastando-se do dólar americano, mas sem migrar para os blocos de moedas que antes dominavam o cenário. Segundo a Standard Chartered, dados recentes do FMI mostram que bancos centrais e fundos soberanos vêm deslocando ativos para um mix mais amplo de moedas menores do G-10 e de mercados emergentes, em vez de euro, libra ou iene.
Historicamente, diversificar as reservas fora do dólar significava aumentar as participações em outras moedas importantes. Contudo, esse padrão se rompeu: nos fluxos recentes houve acumulação constante de ‘outras moedas’, categoria do FMI que inclui o dólar canadense, o dólar australiano, o franco suíço e algumas moedas líquidas de mercados emergentes.
Essa tendência aponta para uma mudança estrutural na forma como investidores oficiais gerenciam o risco cambial. Embora haja reconhecimento de que a dominância do dólar possa estar diminuindo marginalmente no longo prazo, ainda não existe um substituto claro.
Na prática, o cenário global de reservas está se fragmentando: em vez de uma rotação limpa do dólar para outro bloco de moedas, a diversificação passa a refletir a busca por retorno incremental, estabilidade e neutralidade geopolítica. Isso ajuda a explicar por que moedas menores, antes consideradas nicho em portfólios oficiais, estão se tornando mais comuns — mesmo que nenhuma pareça pronta para rivalizar com o dólar.
A diversificação gradual das reservas globais implica menor demanda estrutural por ativos dos EUA, embora a ausência de uma alternativa óbvia limite a pressão de curto prazo sobre o dólar. Fluxos para moedas menores do G-10 e para moedas de mercados emergentes podem oferecer apoio indireto ao AUD, CAD e a algumas moedas de EM.