Goldman Sachs elevou a projeção de crescimento da China, citando exportações resilientes, menor atrito nas tensões comerciais entre os EUA e a China e novo impulso político oriundo do último plano quinquenal.
O economista-chefe da instituição para a China, Hui Shan, afirmou que o PIB real deve avançar 4,8% em 2026 e 4,7% em 2027, acima das previsões anteriores de 4,3% e 4,0%, marcando o maior ajuste desde 2019.
A revisão ocorreu após a reunião de fim de outubro entre os presidentes Trump e Xi, que desescalou tensões comerciais e resultou em reduções de tarifas. Shan destacou que o encontro sinalizou que a China passa a ter peso relevante nas negociações, especialmente por meio do controle de exportações de terras-raras, o que pode dificultar novas tarifas dos EUA.
Além disso, o Goldman cita os resultados do recente Quarto Plenário e do 15º Plano Quinquenal da China, que enfatizam a autossuficiência tecnológica e a competitividade industrial. Os formuladores políticos buscam ampliar a manufatura de alta tecnologia e a inovação como motores do crescimento, substituindo a dependência de propriedades imobiliárias e infraestrutura. Embora a estratégia possa impulsionar rapidamente exportações e lucros corporativos, o consumo das famílias pode levar mais tempo para reagir.
Para sustentar o impulso, a instituição aponta que a combinação de exportações mais fortes, atualização tecnológica e menor pressão geopolítica será essencial. O banco também observa que o avanço da inteligência artificial pode elevar o potencial de crescimento de longo prazo da China em até 8% na próxima década, ajudando a mitigar desafios demográficos e estruturais.