Em novembro, o Banco Central da Austrália (RBA) manteve a taxa de juros em 3,6% em decisão unânime, citando pressões inflacionárias em alta e incerteza sobre a trajetória econômica.
No comunicado que acompanha a decisão, o banco indicou que a inflação recentemente acelerou; parte do aumento no trimestre de setembro refletiu fatores temporários, mas as pressões subjacentes de preços também permanecem elevadas na economia.
O Conselho do RBA disse que julgou apropriado manter a cautela e continuará atualizando as projeções conforme surgirem novas informações. Observou que a atividade doméstica vem se recuperando, mas alertou que o cenário geral continua incerto em ambas as direções.
Segundo o comunicado, o Conselho permanece atento à incerteza elevada sobre o panorama, mantendo o foco no duplo mandato de estabilidade de preços e plena ocupação, e que fará o que for necessário para alcançar esse objetivo.
A previsão central agora indica que a inflação subjacente ficará acima de 3% nos próximos trimestres, antes de recuar para cerca de 2,6% em 2027, alinhada à trajetória apresentada no Relatório de Política Monetária de novembro. Condições do mercado de trabalho permanecem ligeiramente apertadas, apoiando salários e consumo, mesmo com a economia esfriando gradualmente.
Separadamente, o RBA elevou fortemente suas projeções de inflação de núcleo em seu Relatório de Política Monetária de novembro, alertando que as pressões de preços deverão permanecer acima da meta até a segunda metade de 2026 e que a economia pode estar mais aquecida do que o previsto.
A inflação média subjacente deverá ficar em torno de 3,2% até meados de 2026, caindo para 2,7% até dezembro de 2026 e 2,6% até o fim de 2027. A CPI apontará pico de 3,7% em junho de 2026, moderando para o intervalo-alvo de 2% a 3% até o fim de 2027.
As hipóteses de política indicam uma taxa de juros de 3,6% até o fim de 2025, com uma trajetória levemente descendente para 3,4% em meados de 2026 e 3,3% posteriormente, sugerindo uma postura pouco restritiva por mais tempo.
Sobre crescimento e emprego, o banco projeta um PIB em torno de 2% ao ano até 2027, desemprego estável perto de 4,4% e o ganho real de salários deverá desacelerar de 3,4% em 2026 para cerca de 3% até o fim de 2027. Observa que as condições financeiras se ajustaram desde o último corte, e a política monetária está mais próxima da neutralidade, ainda buscando conter a demanda.
O banco também observa que as incertezas no comércio global tiveram impacto limitado até aqui, enquanto condições domésticas parecem firmes, puxadas pela recuperação do consumo e pelos preços de imóveis.
Não é uma leitura extremamente dovish; na prática, o cenário aponta para cortes apenas muito gradualmente, com inflação retornando à faixa central da meta apenas no final de 2027. A coletiva de imprensa com o presidente do banco está prevista para ocorrer em breve.