Resumo da semana A agenda econômica global volta a ganhar evidência com dados de atividade, inflação e decisões de política monetária que podem mover os mercados.
OPEC-8: Perspectiva de produção
O grupo OPEC-8 (Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Cazaquistão, Argélia e Oman) deve realizar uma reunião on-line no domingo, com fontes próximas à aliança sugerindo um novo aumento modesto de produção de cerca de 137 mil barris por dia para dezembro. A ideia é continuar o ajuste gradual das cortes voluntárias de 1,65 milhão de bpd implementadas em 2023, buscando manter participação de mercado sem pressionar demasiadamente os preços. Há divergência entre produtores sobre a trajetória; alguns apoiam a continuidade dos incrementos, outros defendem pausa para avaliar demanda sazonal e estoques. Standard Chartered espera que OPEC+ mantenha o curso, destacando que a mudança recente na curva Brent de contango para backwardation sustenta uma abordagem estável. A decisão ocorre no contexto de sanções dos EUA contra Rosneft e Lukoil. Com a visita do príncipe herdeiro MBS aos EUA prevista para novembro, decisões políticas podem ocorrer antes da viagem.
ISM Manufacturing/Services PMI dos EUA
Na ausência de dados governamentais novos, os ISM ganham maior relevância, com o Manufacturing referente a segunda-feira (3 de nov) e o Services na quarta (5 de nov). Na leitura rápida do S&P Global, que orienta as expectativas do ISM, o Manufacturing ficou em 52,2 (surpresa/consenso 52) e Services em 55,2 (consenso 53,5; anterior 54,2). O relatório aponta crescimento da atividade em outubro e maior ganho de novos negócios em 2025 até o momento. Em relação ao emprego, o crescimento foi moderado; o ritmo desacelerou na manufatura. O Fed manteve posição hawkish na reunião anterior, com inflação acima da meta, e Powell destacou que um corte em dezembro não é inevitável. O mercado observa como os PMIs de preços e salários sinalizam inflação atual da economia e o estado do mercado de trabalho diante da paralisação do governo.
Financiamento/Refinanciamento (Q4)
O Tesouro dos EUA divulgará as estimativas de refinanciamento para o 4º trimestre na segunda-feira às 20:00 GMT e o anúncio de refunding na quarta-feira às 13:30 GMT. As projeções indicam dívida líquida de cerca de US$ 590 bilhões, mantendo tamanhos de leilões de cupom e FRN nos próximos trimestres. O Fed encerrará QT a partir de 1º de dezembro e reinvestirá vencimentos de Treasuries, enquanto MBSs sairão do balanço com reinvestimento em Treasuries. Acompanhará também as operações de recompra para eventuais mudanças.
CPI suíço e perspectivas
O CPI da Suíça de setembro ficou em 0,2% YoY, alinhado com o esperado e com a projeção do SNB de manter a inflação entre 0% e 2% no horizonte. O SNB projeta uma média de 0,4% para o quarto trimestre, com as minutes de setembro sugerindo que isso depende da surpresa de Q3. O comitê sinaliza incerteza elevada, mas a inflação deve permanecer dentro da meta. O cenário atual indica que o ciclo de alívio pode ter encerrado, com o presidente destacando que a linha para juros negativos permanece mais alta que a de cortes normais.
RBA: decisão sobre juros
O RBA deve manter a taxa de juros em 3,60% na próxima reunião, com consenso de mercado de que não haverá mudança. O comunicado anterior avaliou que a inflação caiu, mas o recuo da inflação subjacente tem sido menos robusto, e há sinais de que o Q3 CPI pode ter ficado acima do esperado. O banco mantém o foco na inflação trimmed mean, e o governador afirmou que ainda pode haver espaço para mais cortes ou não, dependendo dos dados de novembro. Dados recentes mostraram fraca criação de empregos, porém a CPI de setembro manteve as perspectivas, levando alguns estrategistas a revisar expectativas de cortes futuros.
França: orçamento da Assembleia
A Assembleia Nacional votará a parte de Receita (PLF) do orçamento. O debate envolve o imposto sobre riqueza e propostas de ajuste fiscal. O governo tenta avançar no orçamento com apoio de partidos, enquanto a oposição pressiona por mudanças, com votações futuras previstas para o fim de novembro.
Suprema Corte dos EUA: Tarifa
A Suprema Corte ouvirá argumentos sobre a política de tarifas reciprocas e se o presidente tem autoridade para impor tarifas além do escopo da IEEPA. A decisão, esperada para o início do próximo ano, pode impactar importadores e possíveis reembolsos em caso de derrota.
Riksbank; BCB e outros dados
O Riksbank deve manter a taxa estável em 1,75% em novembro, com o front de inflação sob controle. O Banco Central do Brasil tende a manter a Selic em 15,00%, sinalizando que cortes podem ocorrer apenas se a inflação evoluir conforme esperado. No front de emprego, ADP nos EUA, empregos no Canadá e a balança comercial da China ganham relevância para o humor de traders.
ADP, BoE, Norges Bank e Canadá
Com atraso dos dados de payrolls dos EUA devido ao shutdown, o ADP divulgará um relatório preliminar em 5 de novembro, com investidores atentos a possíveis impactos. O BoE deve manter a taxa em 4,0% com base na inflação recente. Norges Bank pode manter a taxa estável; cortes são esperados para 2026. O Canadá publica o relatório de empregos de outubro, mantendo o contexto de comércio com os EUA.
China: balança comercial
A balança comercial da China em outubro deve moderar o ritmo, com exportações e importações crescendo abaixo das leituras anteriores, refletindo um ajuste na demanda externa após tensões comerciais recentes.
