Vamos acelerar as lições de tarifas do século XX?

Contexto

O aço é um setor estratégico, pois está na linha de frente da briga tarifária e no centro da discussão sobre comércio.

Durante o primeiro mandato, a resposta de Donald Trump às tarifas foi concentrada no aço, com o argumento de que a China ampliava a produção e vendia no exterior abaixo do custo, prejudicando outros países.

A ideia era proteger os EUA e reconstruir a capacidade industrial do país. Na prática, não funcionou plenamente: tanto republicanos quanto democratas acabaram provocando a saída de investimentos diretos japoneses na construção de usinas nos EUA; contudo, a lógica de proteção permanece válida.

Em um mundo hiperfinanciado, com negociações de alto risco em ações de tecnologia, não há muito capital disposto a investir em uma siderúrgica com uma taxa interna de retorno de 10% em um horizonte geracional, especialmente diante de um ambiente comercial incerto.

Lições do passado

A lição do século XX é que é melhor construir blocos comerciais com interesses alinhados de forma gradual do que isolar o mundo e correr o risco de ficar sujeito a um monopólio doméstico.

O que vem pela frente

Hoje, a FT aponta que o Reino Unido e a Europa estão levantando a ideia de um clube do aço junto aos EUA. A ideia seria bloquear ou aplicar tarifas pesadas sobre as importações, ao mesmo tempo em que se concede acesso preferencial entre os membros. Não há sinal claro de interesse americano, mas é revelador de como líderes pensam o comércio.

Em última análise, os EUA continuam preocupados com a China e a estratégia de buscar alianças contra o gigante asiático. Pode não ser claro se esse é o caminho adotado, mas parece a direção provável.