Resumo rápido
A inflação de consumo no Japão manteve-se em alta em setembro, pressionando o Banco do Japão (BOJ) antes da próxima reunião de política monetária.
O índice de inflação ao consumidor, excluindo alimentos frescos mas incluindo combustível, subiu 2,9% na comparação anual, segundo dados oficiais divulgados na sexta-feira. Esse patamar ficou acima das expectativas do mercado e marcou uma aceleração em relação aos 2,7% de agosto, mantendo a inflação bem acima da meta de 2% do banco central.
Já o índice core-core, que exclui alimentos e energia voláteis, acelerou a 3,0%, mas mostrou arrefecimento em comparação com 3,3% de agosto, sendo visto como uma medida mais fiel da demanda subjacente.
O impulso principal veio do aumento dos custos de energia e de preços de alimentos que subiram 7,6%.
Um sinal de fricção para o BOJ foi a inflação do setor de serviços, que avançou apenas 1,4%, bem abaixo do ganho de 4,2% dos bens. Isso sugere que as empresas repassam salários mais lentos, um passo necessário para a retomada de cortes na taxa de juros.
Analistas consideram que o quadro misto dá ao BOJ espaço para manter cautela. “Com a situação atual, as duas medidas de inflação tendem a cumprir ou superar a previsão para o ano fiscal em curso”, disse um economista sênior da Capital Economics. “Mesmo assim, a comunicação do Banco continua contida e não indica uma alta próxima.” O economista projeta que o BOJ deverá esperar até janeiro para aumentar os juros a partir de 0,5%.
Essa leitura mista tende a reforçar a postura de espera do BOJ, o que deve pressionar o iene para baixo. Embora 2,9% mantenha as expectativas de alta de juros, o foco dos traders deverá estar na desaceleração do núcleo-core e na inflação fraca do setor de serviços. Com isso, a pressão imediata para elevar a taxa diminui, beneficiando os títulos públicos japoneses (JGBs) e o Nikkei, já que uma moeda mais fraca ajuda as exportadoras.
