O FMI alerta que a resiliência da Ásia corre risco de recuar se as condições financeiras que ajudaram a manter o crescimento começarem a se inverter. Um alto funcionário da instituição ressaltou que o cenário global de política monetária tem sido o principal suporte para atravessar o choque causado pelas tarifas.
Krishna Srinivasan, diretor regional do FMI para a Ásia, explicou que juros baixos e um dólar fraco permitiram que as economias da região absorvessem o impacto tarifário com crédito barato. No entanto, ele advertiu que essas condições favoráveis podem não durar.
- Se as taxas de juros começarem a subir, isso poderia ter um impacto significativo na Ásia, onde os custos de serviço da dívida já vinham sendo relativamente altos;
- A valorização do dólar também é apontada como um grande risco.
O panorama regional do FMI elevou a previsão de crescimento para 2025 na região para 4,5%, citando exportações relacionadas às tarifas como motor. Contudo, o relatório ressalta que os riscos estão inclinados para o lado negativo, projetando uma desaceleração para 4,1% em 2026.
Srinivasan elogiou a condução da inflação pelos bancos centrais asiáticos, em razão de sua independência, mas enfatizou que precisam manter o foco na estabilidade de preços e evitar ficar sobrecarregados com múltiplos mandatos.
Este aviso funciona como um sinal de cautela para ativos da região, desafiando o otimismo recente. Em especial, sugere que moedas como won, baht e rupiah permanecem vulneráveis a uma reversão abrupta frente ao dólar. Além disso, pode representar um desafio para os mercados de ações da Ásia (MSCI Asia ex-Japão), ao destacar o risco de um crescimento mais fraco em 2026 e de custos crescentes de endividamento corporativo, o que pode pressionar margens e desencorajar novos investimentos.