A visita de Trump à Malásia parece ter dois focos: diplomacia e terras raras

Nos próximos dias, os EUA e a China manterão conversas de alto nível na Malásia para abrir caminho para o encontro entre Trump e Xi, previsto para a próxima semana. O representante comercial dos EUA, Greer, já está a caminho de Kuala Lumpur, e o secretário do Tesouro Bessent também se deslocará em breve. Lá, eles devem se reunir com o vice-primeiro-ministro chinês He Lifeng e a delegação de Pequim.

Curiosamente, Trump também virá à região. A princípio, parecia que o encontro dele com Xi ocorreria à margem da Cúpula da ASEAN. No entanto, com a China enviando apenas o vice-primeiro-ministro, ainda havia dúvidas sobre a participação de Trump, mesmo com a confirmação dada pelo primeiro-ministro malaio.

Mesmo sem Xi, Trump decidiu seguir com a viagem, sugerindo que há outros objetivos em jogo. Essa configuração já indica o que está em jogo e por que a visita tem importância para a geopolítica regional.

Quanto às terras raras, a discussão não gira apenas em torno da fonte dos minerais e sim do processamento, uma atividade ambientalmente desafiadora que dificulta a instalação dessas fábricas em muitos lugares. A Lynas, empresa australiana, opera na Malásia e administra a maior instalação de processamento de terras raras fora da China. Esse é o atrativo principal da visita.

Apesar da supremacia chinesa global, a Malásia detém cerca de 13% das importações de terras raras pelos EUA, enquanto o resto do mundo, excluindo a China, fica em torno de 17%. Isso sugere que Trump pode querer manter esse canal de comunicação aberto, diante das ameaças de Pequim de restringir exportações.

Mesmo com o país sendo pequeno, a Malásia pode ter uma alavanca considerável nas negociações comerciais, e Trump pode buscar algum acordo que beneficie ambos os lados durante a passagem.

É importante notar que os EUA não possuem direitos exclusivos sobre as terras raras da Malásia — apenas materiais processados podem ser exportados.

Esse ciclo de eventos também traz à tona o histórico de tensão entre China e Japão, que levou o Japão a buscar parcerias com a Austrália e, ao mesmo tempo, manter operações na Malásia. Esse contexto ajuda a entender por que a prática de limitar exportações de terras raras não é novidade, algo já observado pelo Japão.