O LDP, partido governista do Japão, vai às urnas amanhã para escolher seu próximo líder e, por consequência, o próximo primeiro-ministro do país. Após o vexame da eleição da Câmara Alta em julho, o então primeiro-ministro Shigeru Ishiba decidiu deixar o cargo. Agora, o partido busca reconquistar a opinião pública com a próxima escolha.
Quem são os favoritos para a votação de amanhã?
Os dois nomes de peso são Sanae Takaichi e Shinjiro Koizumi. Eles aparecem como favoritos, com potencial para ir a um segundo turno entre eles.
Na prática, Takaichi já foi protagonista de eleições anteriores, ficando em primeiro na fase inicial e perdendo no desempate para Ishiba. Se vencer desta vez, ela poderá se tornar a primeira mulher a chefiar o governo japonês.
Takaichi é frequentemente descrita como pupila de Shinzo Abe e defende a retomada de Abenomics. O governo atual adota uma linha fiscal mais contida, mas Takaichi tende a apoiar uma política mais pró-estímulos. Esse é um ponto a ficar de olho.
Isso também poderia significar uma política monetária mais branda, diferente do que o BOJ tem buscado nos últimos tempos.
Portanto, esse possível conflito entre normas fiscais e monetárias é algo a observar se Takaichi vencer a votação.
Quanto a Koizumi, vencer o pleito o tornaria o mais jovem primeiro-ministro desde o período pós-guerra. Ele é filho do popular ex-primeiro-ministro Junichiro Koizumi e terminou em terceiro na corrida do ano passado.
Ele adota uma postura mais moderada e quer avançar com reformas para renovar o partido. Em termos de políticas de mercado, ele prometeu impulsionar a produtividade e os salários para combater a inflação.
Portanto, pode não haver grandes mudanças se ele vencer; provavelmente haverá menos interferência na postura atual do BOJ.
Outro concorrente notável, além desses dois, é Yoshimasa Hayashi, atual chefe de gabinete. Ele não é exatamente visto como favorito, mas pode surpreender. Ganhou a reputação de ‘faz-tudo’ no círculo político japonês, tendo ocupado vários cargos-chave quando necessário.
Apesar de ser visto como uma mão firme, resta saber se é exatamente o que o partido precisa neste momento, sobretudo porque vem perdendo apoio entre as faixas mais jovens.
Independente de quem vencer, há muito trabalho pela frente. O cenário imediato envolve manter a coordenação com o BOJ em políticas e também lidar com a política comercial com os EUA. No longo prazo, persiste o desafio do envelhecimento da população, que continuará pesando sobre o futuro econômico do Japão, a menos que ocorram mudanças significativas.