Ouro avança com a proximidade de uma paralisação do governo e dados fracos dos EUA alimentam apostas de cortes

Ouro se mantém em alta diante de temores de shutdown

XAU/USD opera em torno de US$ 3.846, próximo do pico alcançado na sessão asiática, enquanto investidores buscam refúgio em ativos de segurança diante do risco de paralisação do governo americano.

As divulgações da JOLTS mostraram leve alta nas vagas de emprego, superando as estimativas, e o Conferência Board indicou que a confiança do consumidor recuou, sinalizando um cenário mais fraco para o emprego e para as condições de negócios.

A fraqueza do dólar ajuda o ouro a sustentar o impulso de alta, enquanto o risco de shutdown ganha força. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou ter tido boa conversa com líderes do Congresso, mas manteve a possibilidade de fechamento do governo.

O Departamento de Trabalho indicou que um shutdown atrasaria a divulgação dos dados de empregos, adicionando pressão aos mercados. A probabilidade de o Fed reduzir as taxas na reunião de outubro permanece alta, em cerca de 96%, com uma aposta de 25 pontos-base e apenas 4% de chance de mantê-las inalteradas.

A agenda de novidades traz dezenas de falas de dirigentes do Fed, além do ADP National Employment Change, PMI de manufatura, solicitações iniciais de seguro-desemprego e payrolls não-agrícolas de setembro.

Perspectiva diária: ouro tende a subir com a fraqueza do dólar

  • As cotações do ouro sobem conforme o Greenback recua, com o Dollar Index (DXY) caindo 0,17%, para 97,78.
  • Os rendimentos dos Treasuries de 10 anos permanecem estáveis, em 4,146%, com rendimentos reais inalterados em 1,796%.
  • As vagas de emprego nos EUA registraram desaceleração do mercado de trabalho, mas o total de vagas subiu de 7,21 milhões para 7,23 milhões em agosto, com a taxa de contratação recuada para 3,2% (a menor desde junho de 2024).
  • A confiança do consumidor em setembro ficou em 94,2, abaixo da previsão de 96,0, o que intensifica a percepção de um ambiente mais desafiador para negócios e mercado de trabalho.
  • Philip Jefferson, vice-presidente do Fed, afirmou que o mercado de trabalho está amolecendo e espera-se que a desinflação retome o caminho após 2025.
  • Susan Collins, do Fed de Boston, sugeriu que cortes graduais podem ser adequados se os dados apoiarem o afrouxamento, mantendo uma política moderadamente restritiva devido à inflação elevada em 2026.
  • Austan Goolsbee, do Fed de Chicago, mencionou a possibilidade de uma nova rodada de tarifas e afirmou que, se a inflação persistir, isso representa um desafio para o Fed.

Visão técnica: ouro mira US$ 3.900

A tendência de alta continua, com o ouro ainda acima de US$ 3.850 e com o caminho aberto para testar a marca de US$ 3.900. Um rompimento acima de US$ 3.900 abre espaço para US$ 3.950 e até US$ 4.000. Por outro lado, recuos abaixo de US$ 3.800 podem trazer suporte em US$ 3.750, seguido de US$ 3.700 e da média móvel de 20 dias em torno de US$ 3.666.

Como o ouro é cotado em dólares, a variação do dólar continua a influenciar seu movimento.

Gráfico diário do ouro

Perguntas frequentes sobre Ouro

Por que as pessoas investem em Ouro?

O ouro tem um histórico como reserva de valor e meio de troca. Além de ser valorizado por seu brilho, é amplamente visto como ativo de proteção em tempos de turbulência, servindo como abrigo contra inflação e contra moedas em desvalorização, pois não depende de um emissor específico.

Quem mais detém Ouro?

Bancos centrais são os maiores detentores. Para fortalecer moedas em momentos de instabilidade, costumam diversificar reservas comprando Ouro. Em 2022, bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de Ouro, segundo o World Gold Council, sendo a maior compra anual desde que começaram as séries. Países emergentes como China, Índia e Turquia têm aumentado rápido suas reservas de Ouro.

Como o Ouro se correlaciona com outros ativos?

O Ouro tende a ter correlação inversa com o dólar dos EUA e com títulos do Tesouro, e uma alta no mercado de ações costuma reduzir o preço do metal, enquanto quedas em ativos de maior risco tendem a favorecer o ouro como proteção.

Do que depende o preço do Ouro?

O preço pode reagir a uma variedade de fatores. Incertezas geopolíticas ou receios de recessão pressionam o ouro para cima por ser visto como refúgio. Como ativo sem rendimento, o ouro tende a subir com cortes de juros e a desinflação pode favorecer. Ainda assim, o principal determinante é o comportamento do dólar, já que o ouro é cotado em dólares; dólar forte costuma manter o ouro contido, enquanto dólar fraco tende a empurrar os preços para cima.