O Banco Asiático de Desenvolvimento revisou para baixo a previsão de crescimento da região em desenvolvimento da Ásia para 4,8% em 2025, ante 4,9% anteriormente, citando o peso das tarifas dos EUA e sinalizando que o impulso deve se reduzir ainda mais no próximo ano.
O recorte reflete que a região enfrenta uma taxa média de tarifas efetivas bem maior do que aquela prevista por acordos da OMC ou de livre comércio, o que impacta especialmente alguns grandes emergentes, incluindo a Índia, que viu sua previsão de crescimento para o ano fiscal 2025 recuar para 6,5% (de 6,7%).
O Economista-Chefe Albert Park destacou que as tarifas atingiram níveis historicamente elevados e a incerteza comercial continua em patamar alto. Mesmo com exportações adiantadas e demanda aquecida por IA ajudando a sustentar o crescimento no primeiro semestre de 2025, o efeito mais amplo da política norte-americana está redesenhando o comércio global e pesando sobre o cenário asiático.
O ADB projeta agora que a Ásia em desenvolvimento — formada por 46 economias desde a China até a Coreia do Sul — cresça 4,8% em 2025, acima do 4,9% previsto em abril, e abaixo do ritmo de 5,1% em 2024. A instituição espera ainda que o crescimento desacelere para 4,5% em 2026, frente a 4,7% anteriormente estimados.
Implicações de mercado:
- FX: revisões para baixo no crescimento alimentadas por tarifas podem pressionar moedas regionais, em especial INR e CNY.
- Ações: ações exportadoras da Ásia podem enfrentar pressão à medida que o ADB sinaliza ventos contrários das tarifas.
- Taxas: um cenário de menor crescimento pode abrir espaço para novas reduções de juros por parte dos bancos centrais.