O peso mexicano recuou levemente frente ao dólar nesta quarta-feira, com o par USD/MXN operando próximo de mínimas recentes, impulsionado pelo atrativo do diferencial de juros, apesar de o mercado já antecipar novo afrouxamento monetário pelo Banxico, o que sustenta a possibilidade de cortes adicionais no curto prazo para a economia mexicana.
Às 19:00 GMT de quinta-feira, o Banxico é amplamente esperado cortar a taxa básica em 25 pontos-base, fixando-a em 7,50%.
Para investidores de forex, a decisão representa um ponto crucial. O equilíbrio entre crescimento lento, inflação ainda elevada e apoio monetário determinará a trajetória de curto prazo da moeda.
Ciclo de afrouxamento já em curso
O Banxico já reduziu a taxa-alvo em 10 ocasiões desde o início do ciclo de cortes, em março de 2024, em meio a atividade doméstica mais fraca.
Segundo BBVA, a economia mexicana continua freada pela demanda interna e por investimentos, o que justifica a continuidade do afrouxamento monetário.
Com o Federal Reserve dos EUA iniciando um ciclo de cortes, o espaço de manobra do Banxico se amplia, já que o banco não precisa mais temer uma diferença de rendimentos muito estreita com os EUA.
O consenso entre economistas aponta para esse cenário. Uma pesquisa da Reuters com 24 analistas revela acordo sobre um corte de 25 pontos-base nesta semana, com uma meta de ~7,0% no fim do ano. A grande dúvida é a velocidade do ciclo adiante.
Inflação ainda em foco
Os preços ao consumidor continuam sendo uma preocupação. Dados do INEGI, citados pela Reuters, indicam inflação de 3,74% ao ano em meados de setembro, acima de 3,49% antes, aproximando-se do teto da meta de Banxico (3%±1 ponto).
Essa leitura alimenta dissensão dentro do Conselho do Banxico. Jonathan Heath, um dos vice‑governadores, foi contrário aos cortes mais recentes, argumentando que a inflação subjacente não permite mais afrouxamento.
Conforme MNI Markets aponta, o voto pode novamente ficar 4-1, com Heath defendendo o status quo.
Crescimento ainda frágil
A dinâmica da economia mexicana permanece frágil. A produção industrial caiu 1,2% em julho, com quedas em construção e manufatura, segundo BBVA. Indicadores de linha apontam para outra contração em agosto.
Segundo Juan Manuel Herrera, do Scotiabank, os dados continuam sinalizando crescimento lento e devem reforçar a ala acomodacionista do Conselho.
Enquanto isso, a demanda externa mostra resistência. As exportações cresceram a um ritmo próximo de 7% ao ano até julho, segundo Scotiabank, enquanto as importações recuaram, refletindo a incerteza comercial e a renegociação do USMCA.
Análise técnica USD/MXN: a recuperação permanece frágil
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O USD/MXN, após um período de consolidação horizontal desde julho, rompeu o suporte em 18,51 em setembro, abrindo espaço para uma retração que levou a um mínimo em torno de 18,20 no mês. A recuperação subsequente aponta para uma linha de suporte de alta, mas o impulso pode enfraquecer abaixo de 18,45. Superar 18,51 pode reacender a pressão de alta, com alvos em 18,85 e 18,95; por outro lado, romper abaixo de 18,34 pode reverter para o piso de setembro.
Para acompanhar as variações, a tabela de mudanças mostra o desempenho do MXN frente às principais moedas, destacando o peso entre outras divisas.
