Newsquawk Semana à Frente: PCE dos EUA, SNB, Flash PMIs, CPI da Austrália e de Tóquio

Resumo da Semana

Prévia com foco em decisões de bancos centrais, leituras de inflação e sinais de atividade econômica ao redor do mundo, com atenção especial ao cenário global de políticas monetárias.

  • Segunda-feira: PBoC LPR, Confiança do Consumidor Flash (EZ, set)
  • Terça-feira: Anúncio do Riksbank, Flash PMIs da EZ/EUA/Reino Unido (set)
  • Quarta-feira: Anúncio do CNB, CPI australiano (ago), Pesquisa Ifo alemã (set)
  • Quinta-feira: Anúncio do SNB, Banxico, Minutas do BoJ, MLF do PBoC, Sentimento do GfK (Alemanha, out), Duração de bens dos EUA (ago), PIB dos EUA (Q2), PCE dos EUA (Q2)
  • Sexta-feira: CPI de Tóquio (set), PCE dos EUA (ago), Final da University of Michigan (set)

Perspectivas-chave

PBoC LPR/MLF (Seg/Qui) Espera-se que o PBoC mantenha estáveis as LPRs de 1 ano e 5 anos pela quarta leitura consecutiva, em 3,00% e 3,50%, respectivamente. A decisão vem após a manutenção da taxa de reverse repo de sete dias e sinalizações de que ajustes só ocorreriam com mudanças na política. Dados recentes indicam fraqueza econômica, alimentando especulações sobre estímulos adicionais, emboraexportações resilientes e rally de ações tenham amenizado a pressão. Ainda assim, há mesas considerand0 chances de não agir. O Macquarie sugere que medidas incrementais devem ocorrer para buscar a meta de crescimento próximo de 5%, com corte de 10pb possível até o fim do ano. O Barclays permanece cauteloso quanto ao tamanho do apoio fiscal caso a trégua EUA-China se sustente.

Riksbank (Ter) Não há consenso antes da decisão. Analistas da SEB esperam queda de 25pb na taxa Selic para 1,75% (de 2,00%). A SEB também apontou que a maioria dos entrevistados (64%) espera manter as taxas estáveis em setembro, com possível recorte em novembro. A inflação amaciou em agosto, com o CPIF core caindo para 2,9% a/a, frente 3,2% e abaixo da expectativa de 3,1%. A SEB aponta sinais de que o pico da inflação foi temporário. Atividade econômica permanece fraca, com leve melhora no desemprego e início de recuperação da confiança do consumidor. O cenário aponta para um corte de 25pb, apoiado pela queda da inflação, mas Nordea ressalta inflação elevada e dados de atividade que se recuperam como justificativas para manter as taxas estáveis. O trajeto de decisões futuras ainda depende da evolução da inflação, com a possibilidade de mais cortes para 2025.

EZ Flash PMI (Ter) Expectativas para setembro mantêm a zona euro em ritmo de expansão leve: manufatura em 51,0, serviços estáveis em 50,5 e composto em 51,2. O PMI compósito se manteve em território de expansão na leitura anterior; a Oxford Economics aponta que os dados devem oferecer uma visão mais completa do que ocorreu no T3. Espera-se leve melhoria nos números da zona, mas o PMI ainda indica crescimento fraco. Em termos de política, com o BCE mantendo postura estável e inflação perto da meta no médio prazo, seria necessária deterioração relevante para reabrir a porta a cortes adicionais. O mercado precifica apenas cerca de 4 pb de estímulo até o fim do ano.

UK Flash PMI (Ter) Para setembro, serviços devem recuar para 53,9 (de 54,2), manufatura para 46,9 (de 47,0) e composto para 53,0 (de 53,5). Observa-se que o último dado mostrou aceleração do crescimento impulsionado pelos serviços. Investec projeta estabilidade na PMI de manufatura por maior cautela com o orçamento de novembro. Para serviços, pode haver pressão de preocupações fiscais, levando o serviço a 53,5 e o composto a 53,0. A leitura não implica, entretanto, em uma mensagem forte para dados oficiais de valor agregado. Do lado da política, com inflação prevista em 4% em setembro, o release deve ter pouco impacto nas expectativas de acomodação do BoE, com apenas cerca de 8% de chance de corte em novembro.

CPI da Austrália (Qua) O Indicador Mensal de Agosto deve subir para 2,9% a/a (2,8% anterior), com Westpac prevendo 3,1% devido a efeitos de base. Julho mostrou 2,8%, impulsionado por eletricidade, novas moradias e viagens. A previsão é de que Agosto mantenha alta moderada, com energia possivelmente subindo 3%, mas aberturas para menor pressão em NSW/ACT. O risco permanece elevado pela incerteza de política.

SNB (Qui) Mantém a taxa de política em 0,0% após o corte para o piso zero em junho. A inflação de agosto ficou em 0,2% a/a; a tendência tem ficado acima do esperado, mas o SNB vê alto o bar para território negativo, que só ocorreria se necessário. O presidente Schlegel comentou que é difícil entrar em território negativo, mas fariam se necessário. O valor do CHF permanece relativamente estável. O cenário base é manter as taxas em 0,0%, com apenas 5% de chance de corte para território negativo. O foco está em dezembro para entender a dinâmica de preços. Muitos analistas já veem a SNB no ponto terminal.

Banxico (Qui) Expectativa de corte de 25pb para 7,50%, conforme 24 analistas da Reuters. O encontro anterior cortou para 7,75%, com dissidência. O CPI de agosto aponta inflação mais fraca no agregado, mas o núcleo continua pressionando. A projeção de disinflation gradual indica 3,9% no núcleo no fim de 2025 contra 3,7% projetado pela Banxico; condições financeiras restritivas, demanda fraca e peso estável sustentam a ideia de cortes graduais. Tarifas envolvendo veículos e peças automotivas permanecem em foco político, dados os riscos de medidas dos EUA.

CPI de Tóquio (Sex) Não há previsão específica para o CPI de Tóquio, que precede o indicador nacional. O CPI de Tóquio revelou 2,6% y/y no mês anterior, núcleo 2,5% e super núcleo 1,5%. O mercado acompanhará os dados antes da decisão do BoJ em 30 de outubro. O governador Ueda ressaltou que o banco monitorará o impacto de tarifas dos EUA, mas que a economia tem resistido. A inflação de alimentos tende a recuar; a inflação subjacente permanece abaixo de 2% e se aproxima dessa marca. As expectativas de inflação das famílias devem ser monitoradas com cuidado; o banco mantém vigilância sobre o posicionamento de preços no curto prazo.

PCE dos EUA (Sex) Após PPI e CPI de agosto, analistas projetam alta do Core PCE entre 0,28% e 0,35% m/m, com referência de 0,27% em julho. O hiato entre core PCE e core CPI ampliou-se, pois itens com maior peso no PCE caíram, enquanto o CPI core subiu. O presidente Powell indicou que o PCE headline ficará em 2,7% y/y em agosto, com inflação de bens contribuindo com 0,3-0,4 p.p. ao PCE. O core PCE em agosto é projetado em 2,9%. No último encontro, o FOMC manteve a projeção para PCE headine em 3,0% em 2025, com ajustes para 2026/2027. Barclays aponta que a leitura de core PCE próximo de 0,21% em agosto sugere que o FOMC espera aceleração de 0,27% entre setembro e dezembro, possivelmente por tarifas. Observa-se que as projeções de inflação para 2026 refletem impactos tarifários mais persistentes. O FOMC vê inflação retornando à meta em 2028. Outros analistas destacam que o comunicado de setembro reiterou a cautela com riscos para o mandato duplo, com relativa ênfase no lado trabalhista da meta, em vez de apenas na inflação.