As exportações do Japão recuaram pelo quarto mês consecutivo em agosto, pressionadas pela elevação das tarifas dos EUA sobre automóveis e equipamentos de fabricação. As remessas aos EUA caíram 13,8% na comparação anual, a mais acentuada desde o início de 2021, com veículos recuando 28,4% e equipamentos de fabricação de chips caindo quase 39%.
Segundo Saisuke Sakai, da Mizuho Research, algumas montadoras repassaram parte do custo tarifário reduzindo preços de exportação, enquanto outras passaram a elevar os preços aos EUA para repassar os custos aos consumidores. Ele alertou que, aliado à incerteza econômica norte-americana, o peso das tarifas pode se intensificar até o fim do ano.
No agregado, as exportações caíram 0,1% em relação ao ano anterior, quedas mais amenas do que o esperado, enquanto as importações recuaram 5,2% devido ao petróleo mais barato. A diferença comercial com os EUA, a menor desde o começo de 2023, não impediu o Japão de registrar um déficit de cerca de ¥242,5 bilhões (US$ 1,66 bilhão). O acordo de julho de Washington para reduzir a taxa básica de tarifas sobre bens japoneses para 15% (a partir de patamares mais elevados) amenizou o impacto, mas a taxa permanece várias vezes acima da norma pré-guerra, de 2,5% sobre automóveis. Economistas veem a economia japonesa contraindo neste trimestre; o governador do BoJ, Kazuo Ueda, reiterou cautela em relação a aumentos de juros diante dos riscos externos.
Dados anteriores indicaram a persistente fraqueza das exportações, reforçando os riscos negativos para a economia japonesa e mantendo a expectativa de que o BoJ permanecerá cauteloso com aperto monetário. Tarifas dos EUA já estão prejudicando envios de automóveis e equipamentos de chip, pressionando o iene pelos fluxos comerciais mais fracos. A fraqueza contínua pode impactar ações atreladas a automóveis e exportadores, enquanto o apoio à política de estímulo permanece em vigor.
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