- O ouro permanece oscilando próximo de um patamar histórico, próximo de tocar máximas recentes ao redor de 3.675 dólares.
- A decisão de política monetária dos EUA, prevista para quarta-feira, domina o humor do mercado, com um corte de 25 pontos-base amplamente esperado.
- O par XAU/USD continua entre 3.620 e 3.650, com a média móvel de 21 períodos oferecendo suporte de curto prazo.
Iniciando a semana com cautela, o ouro estende a inércia de negociações da semana anterior após chegar perto de recorde. O movimento reflete uma falta de convicção entre os investidores, que evitam apostas fortes antes de uma semana cheia de decisões de política monetária de bancos centrais.
No momento da atualização, o asset está próximo de 3.645 dólares, após recuperar de mínimas intradiárias em torno de 3.626, com a barreira de 3.650 atuando como teto recorrente.
O foco está na decisão do Federal Reserve sobre a taxa de juros, marcada para quarta-feira. O mercado já precifica um corte de 25 bps, com pequena chance de surpresa de 50 bps. Além do Fed, decisões de política monetária do Bank of England, Bank of Japan e Bank of Canada ajudam a criar um cenário de volatilidade, potencialmente ampliando oscilações entre classes de ativos, incluindo o ouro.
De modo geral, o tom do mercado continua a sustentar o metal precioso. Rendimentos modestos dos Treasuries dos EUA, um dólar geralmente mais fraco e riscos geopolíticos persistentes reforçam a demanda por proteção, mantendo o ouro bem posicionado próximo de máximas e com espaço para continuar subindo.
Gestores de mercado: Olhos no Fed enquanto a semana de política monetária começa
- O Senado dos EUA deve votar na indicação de Stephen Miran para o Conselho do Fed na segunda-feira; sua confirmação pode permitir que ele participe da reunião de política desta semana. Alguns analistas acreditam que, se confirmado, ele poderá defender um corte maior do que o previsto pelo mercado.
- Dados econômicos recentes nos EUA reforçam as expectativas de afrouxamento do Fed com sinais claros de arrefecimento do mercado de trabalho e enfraquecimento da confiança do consumidor, ainda com a inflação acima da meta.
- Relatório de Payrolls Não Agrícola (NFP) mostrou que a economia adicionou apenas 22 mil empregos em agosto, bem abaixo das 75 mil previstas, enquanto a taxa de desemprego subiu para 4,3%, mais alta desde o final de 2021. Pedidos de seguro desemprego atingiram níveis de vários anos, e as revisões de empregos anteriores mostraram um quadro de empregos mais fraco.
- A pesquisa da University of Michigan indicou queda na confiança do consumidor, enquanto o CPI de agosto subiu 2,9% na comparação anual, com a inflação subjacente estável em 3,1%. Em nível de produtor, o PPI caiu, sinalizando alívio nas pressões de preços no atacado.
- Os dados destacam riscos de piora no emprego, gerando preocupação de que contratações mais fracas e confiança fragil se reflitam no consumo das famílias e no crescimento.
- Embora um corte de 0,25 ponto seja visto como certo, traders acompanham a orientação futura do Fed e as projeções atualizadas, que devem moldar a trajetória da política até o fim do ano. A forma como os decisores equilibram sinais de crescimento mais fraco com a inflação resistente será crucial para decidir se o Ouro continua a subir ou permanece em consolidação.
Análise técnica: Ouro preso entre 3.620-3.650

O ouro permanece dentro de uma faixa no gráfico de 4 horas, com o preço sendo contido por repetidas tentativas de quebrar acima de 3.650, sinalizando falta de convicção no mercado. A consolidação vem após a máxima histórica próxima de 3.675, e indicadores de momentum sugerem uma pausa, não uma reversão.
A média móvel simples de 21 períodos fica estável em torno de 3.641, atuando como suporte imediato dentro da faixa, amortecendo recuos intradiários. Logo abaixo, a zona 3.626-3.630 marca o limite inferior, enquanto a 50-SMA em torno de 3.613 oferece uma camada extra de proteção caso haja pressão de venda.
No lado positivo, os touros precisam de um rompimento claro acima de 3.650 para recuperar o impulso. Um fechamento semanal acima desse nível abriria caminho para testar novamente o recorde em 3.675, com espaço para seguir até 3.700 se houver compras adicionais.
Os indicadores de momentum confirmam o viés de consolidação. O RSI fica próximo de 58 e o ADX, em torno de 31, aponta enfraquecimento da força da tendência, reforçando a visão de que o ouro está em modo de espera.