Resumo: Dados de agosto indicam fraqueza generalizada na atividade chinesa, com queda no investimento, comércio externo resiliente e consumo ainda apoiando o desempenho. Espera-se aceleração da implementação fiscal e mais estímulos, com o banco central mantendo liquidez ampla e sinalizando eventual corte adicional da taxa de juros no quarto trimestre futuro.
Alerta sobre investimento
Os dados de agosto mostram uma deterioração ampla, com o investimento em capital fixo recuando pela segunda parte do ano e a queda se estendendo para além do setor imobiliário. O investimento em imóveis caiu 19,4% em relação ao ano anterior, enquanto manufatura e infraestrutura seguiram em queda. Condições climáticas adversas e ações recentes de gestão de capacidade parecem ter pesado sobre o capex. A leitura é que é necessário acelerar a implementação fiscal para sustentar o FAI.
Varejo e serviços
As vendas no varejo de bens de consumo cresceram 3,4% na base anual em agosto, mas apresentaram alta mensal, sugerindo uma recuperação inicial. O programa de troca de bens pode ter oferecido suporte, embora esse efeito possa frear com o tempo. O governo já direcionou mais recursos para apoiar as famílias, o que deve atenuar o impacto no varejo nos próximos meses. Enquanto isso, o setor de serviços atua como estabilizador: as vendas de serviços cresceram 5,1% e o índice de produção de serviços subiu 5,6% na base anual.
Política e perspectivas
Para enfrentar a pressão de crescimento, autoridades podem acelerar a implementação do orçamento vigente e já existem sinais de pré-alocação de quotas de troca de dívida para 2026. Espera-se ainda um novo corte de 10 pontos-base na taxa básica de juros no quarto trimestre, com algum risco de recuo mais cedo, alinhado às discussões sobre cortes na política monetária globais em setembro. O PBoC deve manter liquidez abundante e retomar compras de títulos do governo para acompanhar a emissão de dívida pública.