EUR/USD cai para 1,1705, com o dólar dos EUA se recuperando apesar das apostas de cortes do Fed

  • O euro recuou após o pico de 1,1779, com a recuperação do dólar dos EUA compensando dados fracos do emprego.
  • Revisão do payroll pela BLS mostra ajuste para baixo de 911 mil até março de 2025, fortalecendo a hipótese de cortes de 25 bp em setembro.
  • Foco nos números de PPI, CPI e Initial Jobless Claims, enquanto a calmaria política na França adiciona incerteza à Zona do Euro.

O EUR/USD recuou cerca de 0,48% nesta terça, ainda que dados dos EUA indiquem que o Fed pode reduzir a taxa na próxima reunião. Apesar disso, o dólar se recuperou, representando um obstáculo para o par, que cotou em 1,1705 após alcançar 1,1779 na sessão.

Euro recua após revisão de payroll confirmar justificativa para alívio, traders voltam a observar inflação

Dados do Bureau of Labor Statistics (BLS) mostraram que o mercado de trabalho já apresentava fissuras, com o ajuste de folhas de pagamento para março de 2025 em -911 mil ou -0,6%. O relatório reforça a possibilidade de um corte de pelo menos 25 pontos-base pelo Fed, ainda que dados de inflação possam aparecer no radar na semana.

Os índices de Produtor (PPI) e de Preços ao Consumidor (CPI) de agosto saem na quarta e na quinta-feira, respectivamente. Novos dados sobre o desemprego inicial também podem nortear a decisão de setembro.

Na Europa, a agenda econômica permanece vazia, com traders aguardando o anúncio da política monetária do BCE. Entretanto, a turbulência política na França persiste, mesmo com a nomeação de Sebastien Lecornu como novo primeiro-ministro.

Movimentação diária: EUR/USD fica defensivo com a recuperação do Dólar

  • Os mercados aguardam dados de inflação dos EUA no meio da semana, com PPI previsto para estável em 3,3% YoY e PPI Core seguindo para 3,5% YoY. O CPI deverá subir para 2,9% YoY, com Core CPI estável em 3,1%.
  • A revisão de payroll e o relatório de empregos de agosto elevaram as expectativas de um corte de juros. O cenário aponta para 90% de chance de afrouxamento em 25 bps e 10% para um corte de 50 bps. BCE deve manter as taxas inalteradas, com probabilidade de 93%.
  • Passe de Fitch: dois cortes adicionais de 25 bps, em setembro e dezembro, com mais reduções previstas para 2026. A Fitch não projeta cortes adicionais pelo BCE.

Perspectiva técnica: EUR/USD ainda em cenário de alta, mesmo após recuo para 1,1700

O par formou um padrão de vela de engolfo de baixa, sinalizando que os compradores perdem fôlego e vendedores ganham espaço antes da reunião do BCE. O RSI permanece em território de alta, mas pode consolidar.

Se EUR/USD cair abaixo de 1,1700, é provável ver a média móvel de 20 dias em 1,1672 e, em queda adicional, a média de 50 dias em 1,1659 e a de 100 dias em 1,1535.

Por outro lado, vencer a marca de 1,1788 de 24 de julho pode abrir caminho para 1,1800 e 1,1829.

Perguntas frequentes sobre o Euro

O euro é a moeda de 19 países da zona do euro e a segunda mais negociada globalmente. Em 2022, representou cerca de 31% do volume diário de transações cambiais, com um turnover acima de US$ 2,2 trilhões.

O Banco Central Europeu, sediado em Frankfurt, define política monetária e controles de juros. Seu objetivo é manter a estabilidade de preços. As decisões ocorrem em reuniões oito vezes ao ano, com o Conselho de Governança incluindo o presidente e representantes dos bancos centrais nacionais.

A inflação medida pela HICP influencia as decisões do BCE. Inflação acima da meta pode levar a altas de juros, tornando o euro mais atrativo para investidores.

Indicadores como PIB, PMI, emprego e avaliação de confiança influenciam o par. Dados fortes fortalecem o euro, dados fracos podem puxá-lo para baixo. Dados dos quatro maiores países da zona euro costumam ter peso significativo.

Um saldo comercial positivo tende a fortalecer a moeda, já que aponta maior demanda por exportações.