Noam Chomsky costumava dizer que para entender a verdade, vale a pena observar a imprensa de negócios, pois seus leitores querem saber o que está acontecendo.
Recentemente, o que o CEO da McDonald’s, Chris Kempczinski, disse numa entrevista à CNBC, revela uma visão ágil sobre o comportamento do consumidor nos Estados Unidos e no resto do mundo.
Ele mencionou que, especialmente entre as camadas de renda média e baixa, as pessoas enfrentam muita pressão. Enquanto o consumo entre os usuários de renda alta permanece em boa fase — com mercados de ações em patamares próximos ao recorde e viagens internacionais em retomada —, a situação para os segmentos médios e inferiores é bem diferente.
Segundo Kempczinski, o tráfego entre clientes de renda menor caiu consideravelmente, com muitos até pulando o café da manhã. “Essas famílias estão sob forte aperto no nosso setor”, afirmou, destacando que muitas optam por pular uma refeição ou comer em casa.
Já o segmento de consumidores mais ricos não parece sentir o impacto, nem está reduzindo seus padrões de consumo.
Na linha de receita, os franqueados estariam perto de uma queda de cerca de 10% em relação aos picos históricos de fluxo de caixa. Essa percepção é relevante para investidores: vale evitar negócios sensíveis às oscilações das camadas de renda mais baixa e médio-baixa, e favorecer marcas de alto padrão, viagens premium, viagens corporativas e empresas com poder de precificação.
Pode haver uma tentativa de equilibrar isso com lojas de menor valor, mas esse caminho é arriscado, principalmente diante de possíveis cortes em benefícios sociais como programas de assistência alimentar.