Ouro cai abaixo de 3.550 dólares à medida que o recuo do dólar contorna apostas de cortes do Fed

O ouro recua frente ao dólar, com investidores realizando lucros antes de um importante conjunto de dados de empregos, mesmo com a probabilidade de cortes da taxa do Federal Reserve mantendo-se alta para o mês. O par XAU/USD fica em torno de US$ 3.542.

Ouro recua 0,48% mesmo com dados de empregos fracos nos EUA que alimentam expectativa de corte em setembro

Dados econômicos indicaram que o mercado de trabalho continua mais fraco, com as solicitações de seguro-desemprego da semana anterior acima do esperado. O déficit comercial ampliou-se em julho, enquanto o PMI de Serviços do ISM registrou a maior expansão em seis meses.

Apesar dos números mistos, o mercado focou no mercado de trabalho após o chair do Fed, Jerome Powell, sinalizar amolecimento do emprego. A probabilidade de redução de 25 pontos-base nas taxas de juros em setembro permanece em torno de 98% segundo estimativas de precificação.

Durante o pregão, o dólar teve recuperação, com operadores realizando lucros antes do relatório Nonfarm Payrolls (NFP), que deve indicar criação de cerca de 75 mil empregos e uma leve alta na taxa de desemprego para aproximadamente 4,3%.

No entanto, o clima de incerteza permanece, com dúvidas sobre políticas de Donald Trump, novas tarifas e a disputa entre a administração e a governadora do Fed Lisa Cook. Cenários legais envolvendo tarifas também podem sustentar o ouro em patamares mais altos.

Mapa diário do mercado: o ouro é pressionado pela força do dólar

  • Os traders absorveram um calendário econômico carregado; as solicitações de seguro-desemprego para a semana que terminou em 30 de agosto chegaram a 237 mil, acima da previsão de 230 mil.
  • A balança comercial de julho mostrou déficit ampliado para US$ 78,3 bilhões, contra US$ 59,1 bilhões, com empresas adiantando compras antes de tarifas entrarem em vigor. O déficit com a China se manteve elevado, enquanto com o México aumentou modestamente.
  • O ISM de serviços de agosto subiu para 52, acima da leitura anterior e das expectativas, com o subcomponente de preços pagos em 69,2, o segundo maior desde o fim de 2022, sinalizando o impacto de tarifas.
  • A mudança no emprego do ADP em agosto ficou em 54 mil, abaixo do esperado de 65 mil, mas as mudanças de julho foram revisadas para cima para 106 mil. A economista-chefe do ADP, Dr. Nela Richardson, destacou que o crescimento de empregos começou com vigor, mas ganhou volatilidade com as incertezas.
  • O presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, mencionou a possibilidade de cortes graduais de juros, caso a economia confirme as projeções. O indicado ao Conselho do Fed, Stephen Miran, ressaltou a importância da independência da instituição e não respondeu se aconselharia o presidente a demitir membros.
  • Os rendimentos dos Treasuries recuam, com o título a 10 anos caindo para 4,183%. Os rendimentos reais também recuaram para 1,78% no momento.
  • O índice Dólar (DXY) opera com alta de aproximadamente 0,25%, situando-se próximo de 98,39.

Perspectiva técnica: o ouro pode desafiar a marca de US$ 3.500 em curto prazo

A tendência de alta do ouro freou, com o XAU/USD recuando abaixo de US$ 3.550, e o RSI apontando para a região de sobrecompra. Contudo, um fechamento abaixo de US$ 3.500 pode colocar a trajetória em xeque; ultrapassar US$ 3.550 abre espaço para novas máximas, podendo testar US$ 3.578 e, se superar, a faixa de US$ 3.600. Em queda, os próximos suportes ficam em US$ 3.500 e, abaixo, em US$ 3.454, antes de um possível recuo para US$ 3.400.