Petróleo Brent: Riscos de Oferta e Cortes Sauditas Impulsionam Preços, Aponta ING

Analistas da ING, Warren Patterson e Ewa Manthey, observam que o Brent e o WTI tiveram uma forte alta, com o Brent superando 6% de ganho e se aproximando de US$ 110/barril. Essa resiliência do petróleo reflete um mercado que está reavaliando a duração e a severidade do conflito, além de reconhecer a crescente ameaça à oferta regional.

Embora volumes significativos ainda transitem pelo Estreito de Hormuz, os fluxos permanecem abaixo dos níveis pré-conflito, evidenciando a fragilidade da situação. A infraestrutura energética saudita e as exportações de petróleo bruto do Mar Vermelho enfrentam riscos crescentes, com os Houthis no Iêmen visando a Arábia Saudita. Com os Houthis controlando o porto iemenita de Mokha, eventos recentes aumentam a ameaça ao transporte marítimo na região do Estreito de Bab al-Mandeb.

Outra preocupação do mercado são os números de produção de agosto reportados pela Arábia Saudita à OPEP. O último relatório mensal mostra que a Arábia Saudita produziu 6,24 milhões de barris por dia (b/d), o menor nível desde os anos 90. A Arábia Saudita forneceu mais ao mercado do que produziu.

Essas renovadas preocupações com a oferta coincidem com uma demanda chinesa mais forte no mercado físico. Refinarias independentes na China têm aumentado gradualmente suas taxas de processamento após atingirem o fundo em julho. Dados da JLC mostram refinarias independentes operando a quase 63%, acima dos 45% em julho.

Os dados mais recentes de inventário da EIA mostram que os estoques comerciais de petróleo bruto dos EUA caíram apenas 391 mil barris na semana passada. Após contabilizar as liberações da Reserva Estratégica de Petróleo (SPR), os estoques totais de petróleo bruto dos EUA diminuíram 1,64 milhão de barris. Em um sinal de alívio para os mercados de produtos refinados, os estoques de gasolina e destilados aumentaram 1,27 milhão e 2,09 milhões de barris, respectivamente.