A inflação de agosto nos EUA será o fator decisivo para a próxima reunião do Federal Reserve em setembro. Apesar das expectativas de alta de juros terem crescido após discurso hawkish, dados de preços são mais relevantes que o relatório de empregos. Riscos políticos também podem limitar o rali do dólar.
As expectativas de uma alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro aumentaram significativamente após o discurso hawkish do presidente Kevin Warsh na última sexta-feira, com o mercado precificando quase 70% de chance. No entanto, importantes dados econômicos ainda serão divulgados e podem alterar esse cenário.
Menos relevante que os dados de inflação, o relatório de empregos de sexta-feira pode surpreender, mas não deve ser o fator determinante para a decisão sobre a taxa de juros em meados de setembro, dado que Warsh já considera o pleno emprego.
Os números da inflação de agosto, a serem divulgados na próxima sexta-feira, serão muito mais importantes. Após uma alta moderada em julho, que poderia justificar a manutenção da política monetária, a taxa de inflação em agosto pode ter acelerado devido à nova alta nos preços da energia.
A grande questão será se a taxa de agosto será alta o suficiente para convencer mais membros do FOMC, além dos três que votaram a favor de uma alta na última reunião, e talvez o próprio Warsh, de que um aumento de juros é inevitável. Portanto, flutuações no dólar antes desses dados podem não fazer sentido.
Mesmo que os dados de inflação de agosto sejam surpreendentemente altos e o Fed suba os juros em setembro, não está claro por quanto tempo o dólar poderá se beneficiar. Um eventual aumento de juros pode reacender conflitos com a Casa Branca, caso a política monetária contrarie os desejos do presidente.


