Prata se recupera para US$ 63, mas riscos inflacionários freiam compradores

A prata (XAG/USD) estabiliza-se em torno de US$ 63,45 nesta quarta-feira, registrando uma alta de 0,16% no momento da escrita. O metal branco tenta recuperar o fôlego após atingir uma mínima intradiária de US$ 62,19, estendendo o recuo que se seguiu à rejeição na área de US$ 66,50 na terça-feira.

A prata permanece sob pressão em um ambiente de mercado cauteloso, com investidores monitorando a deterioração da situação no Oriente Médio. O Memorando de Entendimento entre os Estados Unidos (EUA) e o Irã expirou na segunda-feira, e o presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou na terça-feira que não há negociações em andamento com Teerã.

As interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz também mantêm as tensões elevadas no mercado de energia, reforçando preocupações sobre as consequências inflacionárias do conflito. Essa perspectiva pode complicar a tarefa do Federal Reserve (Fed) e limitar sua margem de manobra para apertar a política monetária.

Os investidores agora aguardam as Atas da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de julho, a serem divulgadas nesta quarta-feira às 18:00 GMT, em busca de novas pistas sobre o caminho das taxas de juros dos EUA.

Desde essa reunião, dados mais fracos que o esperado do mercado de trabalho e da inflação reduziram as expectativas de um aumento nas taxas em setembro. De acordo com a ferramenta CME FedWatch, os mercados precificam agora apenas uma chance de 32% de um aumento na próxima reunião. Essa mudança ajuda a limitar a pressão sobre os metais preciosos, que tendem a se beneficiar das expectativas de uma política monetária menos restritiva.

Ao mesmo tempo, os riscos inflacionários decorrentes do choque energético continuam a apoiar a possibilidade de um aperto monetário adicional no longo prazo. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA, portanto, permanecem elevados, apesar de um modesto declínio nesta quarta-feira, limitando o apelo da prata, que não oferece rendimento.

A divulgação das Atas do Fed pode, portanto, fornecer o próximo catalisador para a prata, à medida que os mercados avaliam o equilíbrio entre dados econômicos americanos mais fracos, riscos inflacionários decorrentes do conflito no Oriente Médio e o futuro caminho das taxas de juros.

Análise técnica XAG/USD

No gráfico de uma hora, o XAG/USD negocia a US$ 63,46, mantendo um tom limitado no curto prazo, pois permanece abaixo da média móvel simples (SMA) de 100 períodos em US$ 64,74 e da SMA de 200 períodos em US$ 64,65. A proximidade da barreira horizontal imediata em US$ 63,50 reforça a oferta de teto logo acima do preço spot, enquanto o Índice de Força Relativa (RSI) em 44,51 permanece abaixo da linha neutra de 50, sugerindo que as tentativas de recuperação podem permanecer limitadas por enquanto.

No lado da alta, a resistência inicial está localizada em US$ 63,50, antes da SMA de 200 horas em US$ 64,65 e da SMA de 100 horas em US$ 64,74, com um obstáculo mais forte emergindo no teto horizontal anterior perto de US$ 66,80. No lado da baixa, o primeiro suporte aparece em US$ 62,60, com um colchão mais profundo visto em US$ 61,00, onde os compradores provavelmente mostrariam mais interesse se o recuo atual se estender.