Iene Japonês se aproxima perigosamente dos 160,00 com apetite por risco em queda

O iene japonês (JPY) acelera sua desvalorização à medida que o dólar americano (USD) encontra suporte em um humor de mercado mais sombrio, com investidores receosos de uma reescalada das tensões no Oriente Médio. O par USD/JPY aprecia pela segunda sessão consecutiva, atingindo a área de 159,75 e se aproximando do nível de 160,00, considerado uma linha de defesa para as autoridades de Tóquio.

Os mercados estão em modo de aversão ao risco nesta terça-feira, pois o Memorando de Entendimento assinado pelos EUA e Irã em junho expirou na segunda-feira, com ambas as partes ainda longe de um acordo de paz duradouro.

Além disso, Washington e Teerã intensificaram suas ameaças. O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou bombardear Omã, até então um aliado, se este “atrapalhar” um acordo com o Irã. As autoridades iranianas, por sua vez, anunciaram que mudariam para uma postura militar “totalmente ofensiva”, tensionando ainda mais um cessar-fogo já frágil e prejudicando o apetite dos investidores por risco.

Dados fracos do Japão minam o suporte ao Iene

No Japão, os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados na segunda-feira ficaram abaixo das expectativas, com o crescimento econômico desacelerando para 0,3% no segundo trimestre, ante 0,5% no trimestre anterior, lançando dúvidas sobre o ritmo do ciclo de aperto monetário do Banco do Japão (BoJ).

Olhando para frente, analistas do UOB Group observam que o “tom subjacente do dólar americano ainda parece firme, e o viés permanece inclinado para cima”. O UOB, no entanto, espera que a ação de preço permaneça contida no curto prazo, avaliando que “uma faixa mais estreita de 158,00/160,20 provavelmente será suficiente para conter os movimentos de preço”.

Perguntas Frequentes sobre Sentimento de Risco

O que significam os termos “risk-on” e “risk-off” quando se refere ao sentimento nos mercados financeiros?

No jargão financeiro, os dois termos amplamente utilizados “risk-on” e “risk-off” referem-se ao nível de risco que os investidores estão dispostos a assumir durante o período em questão. Em um mercado “risk-on”, os investidores estão otimistas sobre o futuro e mais dispostos a comprar ativos de risco. Em um mercado “risk-off”, os investidores começam a “jogar pelo seguro” porque estão preocupados com o futuro e, portanto, compram ativos menos arriscados que têm maior certeza de retorno, mesmo que seja relativamente modesto.

Quais são os principais ativos a serem acompanhados para entender a dinâmica do sentimento de risco?

Normalmente, durante períodos de “risk-on”, os mercados de ações sobem, a maioria das commodities – exceto o Ouro – também ganha valor, pois se beneficiam de uma perspectiva de crescimento positiva. As moedas de nações que são grandes exportadoras de commodities se fortalecem devido ao aumento da demanda, e as Criptomoedas sobem. Em um mercado “risk-off”, os Títulos sobem – especialmente os principais Títulos do governo – o Ouro brilha, e as moedas de refúgio seguro, como o iene japonês, o franco suíço e o dólar americano, beneficiam-se.

Quais moedas se fortalecem quando o sentimento é “risk-on”?

O Dólar Australiano (AUD), o Dólar Canadense (CAD), o Dólar Neozelandês (NZD) e moedas menores como o Rublo (RUB) e o Rand Sul-Africano (ZAR) tendem a subir em mercados “risk-on”. Isso ocorre porque as economias dessas moedas dependem fortemente da exportação de commodities para o crescimento, e as commodities tendem a subir de preço durante os períodos de risk-on. Isso ocorre porque os investidores preveem uma maior demanda por matérias-primas no futuro devido à maior atividade econômica.

Quais moedas se fortalecem quando o sentimento é “risk-off”?

As principais moedas que tendem a subir durante os períodos de “risk-off” são o Dólar Americano (USD), o Iene Japonês (JPY) e o Franco Suíço (CHF). O Dólar Americano, por ser a moeda de reserva mundial e porque em tempos de crise os investidores compram dívida do governo dos EUA, que é vista como segura, pois a maior economia do mundo dificilmente dará calote. O Iene, pelo aumento da demanda por títulos do governo japonês, pois uma alta proporção é detida por investidores domésticos que provavelmente não os venderão – mesmo em uma crise. O Franco Suíço, porque as rigorosas leis bancárias suíças oferecem aos investidores proteção de capital aprimorada.