Ouro recua para perto de US$ 4.400 com tensões Irã-EUA ofuscando inflação controlada nos EUA

O preço do ouro (XAU/USD) apresenta leve queda, negociando perto de US$ 4.400 no início da sessão asiática desta quinta-feira. Tensões geopolíticas crescentes entre Estados Unidos (EUA) e Irã exercem pressão sobre o metal. No entanto, o potencial de desvalorização pode ser limitado, uma vez que a moderação da inflação ao consumidor (CPI) nos EUA diminui a urgência do Federal Reserve (Fed) em aumentar as taxas de juros já no próximo mês.

Um alto funcionário iraniano afirmou que Washington e Teerã continuam em impasse nas negociações para um fim permanente para a guerra no Golfo, e que não houve progresso na retomada do acordo provisório de junho nem na definição de um cronograma para sua implementação.

A renovada tensão no Oriente Médio e o fechamento contínuo do Estreito de Hormuz pesam sobre o metal precioso, aumentando os temores de inflação impulsionada pelo petróleo. “Com o Estreito de Hormuz ainda fechado, os riscos inflacionários de alta permanecerão em pauta no futuro previsível”, comentou Seema Shah, estrategista global-chefe da Principal Asset Management.

A mais recente leitura do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho nos EUA moderou-se em uma gama de bens e serviços, arrefecendo as expectativas de alta de juros pelo Fed em setembro. Isso, por sua vez, pode ajudar a limitar as perdas do ouro. Dados divulgados pelo Bureau of Labor Statistics na quarta-feira mostraram que o CPI aumentou 3,4% na variação anual em julho, ante 3,5% no período anterior. Excluindo alimentos e energia, o chamado núcleo do CPI aumentou 2,5% na variação anual em julho, comparado a 2,6% em junho. Ambas as leituras vieram em linha com as expectativas.

Swaps de taxas de juros agora precificam cerca de 40,1% de probabilidade de uma alta do Fed em setembro, embora as chances de uma elevação em outubro tenham caído para cerca de 60% de 75% um dia antes. A próxima alta está totalmente precificada para dezembro, de acordo com a ferramenta CME FedWatch.

Ouro mantém viés de alta com CPI dos EUA sem reaquecer apostas de alta do Fed

Segundo o TD Securities, “metais preciosos mantêm viés de alta”, pois a mais recente divulgação do CPI dos EUA “fez pouco para reativar a precificação de altas do Fed”. O banco observa que “a recente ação de preços destaca que o mercado de ouro não está mais esperando altas”, sublinhando um cenário de suporte para o metal, mesmo enquanto os investidores reavaliam as perspectivas de política monetária à luz de dinâmicas de inflação mais brandas.

Análise Técnica: Ouro mantém viés de alta no curto prazo

No gráfico diário, o XAU/USD mantém um viés de alta no curto prazo, estendendo-se acima da média móvel simples (SMA) de 100 dias e permanecendo confortavelmente acima da linha média das Bandas de Bollinger de 20 dias, sugerindo uma estrutura de tendência de alta bem sustentada. O preço agora pressiona a banda superior de Bollinger, enquanto o Índice de Força Relativa (14) em 67,51 flerta com a zona de sobrecompra, indicando que o recente avanço é forte, mas cada vez mais esticado.

No lado positivo, a resistência imediata é definida pela banda superior de Bollinger em US$ 4.410, onde uma quebra sustentada abriria caminho para ganhos adicionais. No lado negativo, o suporte inicial é visto perto da área atual, com a SMA de 100 dias em US$ 4.390 atuando como o primeiro piso significativo, antes da média móvel das Bandas de Bollinger em US$ 4.140; um recuo mais profundo em direção à banda inferior em US$ 3.865 só viria a se concretizar se a estrutura de alta começasse a se desfazer.

(A análise técnica desta matéria foi elaborada com o auxílio de uma ferramenta de IA. Saiba mais.)