O Banco Central da Austrália (RBA) sinalizou um tom menos agressivo em sua última decisão de política monetária, mantendo as taxas de juros em 4,35% e avaliando a política como “um tanto restritiva”. A decisão, unânime, reflete um mercado de trabalho que arrefeceu mais do que o previsto nos últimos meses.
Elias Haddad, do Brown Brothers Harriman (BBH), destaca que o RBA suavizou seu viés “hawkish”, elevando o patamar para a necessidade de novos aumentos. Embora a inflação ainda seja considerada “muito alta” e os riscos “tendam a subir”, a comunicação revisada indica que o Comitê está preparado para “aumentar a taxa de juros novamente se os riscos de alta [para a inflação] se materializarem”, em vez de simplesmente “se necessário”.
As projeções atualizadas do RBA também contribuíram para essa mudança. O banco central elevou a projeção da taxa de desemprego para todo o horizonte de previsão e reduziu as projeções de inflação núcleo, considerada relevante para a política monetária, até junho de 2027.
O par AUD/USD registrou uma breve queda após a decisão, mas recuperou a maior parte das perdas durante a coletiva de imprensa da Governadora do RBA, Michele Bullock. Bullock ressaltou que “é bastante possível” que um novo aumento da taxa seja necessário, apontando que a economia australiana ainda opera acima de sua capacidade.
Apesar das nuances na comunicação, o suporte para o dólar australiano (AUD) permanece robusto, impulsionado pelo “carry” atrativo e pela exposição estratégica do país a commodities ligadas a energia, inteligência artificial e defesa.


