Preço do Ouro: Alta pausa perto de US$ 4.440 com foco no CPI americano

O preço do ouro (XAU/USD) está sendo negociado 0,26% em baixa, a cerca de US$ 4.380, durante a sessão europeia desta terça-feira. O metal precioso recua da máxima de dois meses de US$ 4.435,40 registrada mais cedo no dia, à medida que os preços do petróleo avançam devido à escalada de incertezas em torno da reabertura do Estreito de Ormuz, uma passagem vital para quase 20% do suprimento global de energia.

Brent estende ganhos com tensões EUA-Irã mantendo o Estreito de Ormuz em foco.

Analistas do Danske Bank destacam que, em commodities, “o petróleo Brent subiu para US$ 87/barril com o desvanecimento das esperanças de uma resolução de curto prazo para o conflito EUA-Irã e a reabertura do Estreito de Ormuz”. Eles observam que as negociações sobre a rota de navegação chave “estagnaram, com as últimas exigências do Presidente Trump por compensação de guerra adicionando mais incerteza à perspectiva de um acordo”, deixando o complexo de petróleo firmemente impulsionado pelo risco geopolítico.

Preços mais altos do petróleo impulsionam as expectativas de inflação global, um cenário que acelera os temores de aumentos nas taxas de juros por parte dos bancos centrais globais. Tal caso é desfavorável para ativos sem rendimento, como o Ouro.

Enquanto isso, os mercados financeiros aguardam os dados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) dos Estados Unidos (EUA) para julho, que serão divulgados na quarta-feira. Espera-se que os dados de inflação influenciem significativamente as expectativas de taxas de juros do Federal Reserve (Fed), já que o presidente Kevin Warsh disse em sua conferência de imprensa de política monetária de julho que os membros estão comprometidos em reduzir a inflação para a meta de 2%.

Estrategistas do ING apontam que “as taxas americanas terminaram a semana passada com um tom dovish devido aos fracos números de folha de pagamento, mas o dado do CPI desta semana deve ser mais instrumental”. Com “apenas mais duas leituras de CPI” antes da reunião do Fed em setembro e “cerca de 40% de um aumento precificado”, eles argumentam que os mercados ainda precisam “decidir sobre o próximo movimento do Fed”. O ING acrescenta que “um CPI benigno poderia ajudar a aliviar os temores de que o presidente do Fed, Kevin Warsh, torne o banco central excessivamente dovish, o que também deveria reduzir as taxas mais longas”, reforçando a ideia de que os dados de inflação serão cruciais para moldar tanto as expectativas de política quanto a curva de juros.

Análise Técnica do Ouro

O XAU/USD está sendo negociado em torno de US$ 4.377,89. O metal mantém um viés construtivo de alta, pois permanece acima da média móvel exponencial (EMA) de 20 dias em US$ 4.174,76, mantendo a tendência de curto prazo suportada.

O Índice de Força Relativa (RSI) em 66,40 está se aproximando da zona de sobrecompra, sugerindo um forte momentum de alta, mas também indicando que o último avanço pode ser vulnerável a uma pausa ou correção superficial.

Na desvantagem, o suporte imediato é visto na EMA de 20 dias em torno de US$ 4.174,76, que coincide com a máxima de julho, que foi a zona de resistência anterior. Olhando para cima, o metal amarelo precisa de uma quebra decisiva acima da máxima intradiária em US$ 4.435,40 para estender o rali em direção à máxima de 29 de maio em US$ 4.595,34.