Iene Japonês Ganha Força com Intervenção Conjunta Inédita entre EUA e Japão

O par USD/JPY opera em baixa, aproximando-se de 157.40 nas primeiras horas de negociação asiática desta terça-feira. O iene japonês (JPY) fortalece-se contra o dólar americano (USD) à medida que os traders permanecem em alerta para novas intervenções, após Japão e EUA terem atuado nos mercados cambiais na semana passada para apoiar suas respectivas moedas.

O Ministro das Finanças do Japão, Satsuki Katayama, afirmou na segunda-feira que Tóquio e Washington realizaram uma intervenção coordenada de compra de ienes e não hesitarão em tomar novas medidas. O Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, declarou que os EUA não hesitarão em intervir novamente no mercado, enquanto o Presidente dos EUA, Donald Trump, aprovou a ação, descrevendo-a como um “sinal de amizade”.

Segundo a Bloomberg, o Japão provavelmente utilizou cerca de US$ 34 bilhões em intervenção no mercado de câmbio na sexta-feira para impulsionar o JPY, complementando as ações do dia anterior em coordenação com os EUA.

“A visão de que a intervenção cambial não pode ter um impacto duradouro e apenas altera os fluxos de curto prazo parece correta em muitos casos. No entanto, dependendo das circunstâncias e do contexto mais amplo, a intervenção pode exercer uma influência significativa no mercado e desencadear uma inflexão”, disse Shusuke Yamada, analista do Bank of America.

Os traders acompanharão de perto os dados de emprego dos EUA de julho, que serão divulgados na sexta-feira e podem oferecer pistas sobre o caminho das taxas de juros americanas. Espera-se que os Não-Farm Payrolls (NFP) aumentem em 83.000 em julho, contra 57.000 no período anterior. A taxa de desemprego está projetada para subir para 4,3% em julho, ante 4,2% em junho. Caso os resultados sejam mais fortes do que o esperado, isso pode reforçar as apostas em um aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro e apoiar o dólar.

Operação de suporte ao iene pesa sobre exportadores e o tom de risco na Ásia

Geoff Yu, do BNY Mellon, observa que “as palavras se tornam ações” no mercado de câmbio, com o FX fornecendo “o exemplo mais claro de coordenação”, já que EUA e Japão “intervieram conjuntamente para fortalecer o iene, sua primeira operação desse tipo desde 1998”. Ele aponta que o iene “disparou”, um movimento que “pesou sobre os exportadores japoneses e contribuiu para uma sessão asiática mais fraca”.