Preço do Ouro: XAU/USD ignora o pânico que deveria impulsioná-lo

O XAU/USD opera próximo a US$ 4.020 na manhã de Nova York, com uma queda de aproximadamente 1,4% em uma sessão que começou perto de US$ 4.075 e nunca conseguiu sustentar uma alta. A desvalorização ocorreu em meio a um choque global nas bolsas de valores, que deveria ter sido o maior impulsionador do metal em meses. O ponto mais baixo do dia foi registrado logo acima da marca de US$ 4.000.

Um trade de medo que pulou o ativo de medo

Os danos durante a noite se concentraram na Ásia, onde as ações sul-coreanas caíram quase 11%, com as duas maiores fabricantes de memória do país registrando quedas de dois dígitos. O Nikkei 225 cedeu perto de 4% e o benchmark regional caiu 3%. O ceticismo renovado sobre o retorno dos gastos com inteligência artificial foi o gatilho. O dinheiro migrou para a segurança, indo para títulos do governo e o Dólar, em vez de para o ouro.

O Dólar Index opera perto de 101,50, em máxima de um mês, e o Dólar está pouco abaixo de 164,00 contra o Iene. Os rendimentos dos Treasuries cederam com o movimento das ações, o que normalmente favorece um ativo que não paga cupom. O ouro caiu mesmo assim, o que indica que a busca por proteção está sendo expressa em moeda e duração, e não em metal.

Outra demanda que o metal perdeu é a relacionada à guerra, e a pausa nesse conflito já dura quatro dias. Ataques americanos ao Irã estão em espera pelo quarto dia, com Washington alegando que Teerã pediu a pausa e Teerã negando qualquer negociação em andamento além de conversas com Omã sobre passagem segura. O transporte pelo Estreito de Ormuz ainda opera com menos de 10 navios por dia, contra cerca de 100 antes do conflito, então o gargalo permanece fechado na prática, enquanto o preço se comporta como se estivesse aberto.

Uma variável, e ela reporta na quarta-feira

O metal tem negociado em julho com base em um único input, e esse input será reportado às 18:00 GMT de quarta-feira. A expectativa de alta para esta reunião tem se mantido perto de 36% desde meados da semana passada, sem se abalar com a trégua no Golfo e com uma queda de 7% no Petróleo Bruto. Pelo menos um aumento está precificado em cerca de 80% para setembro e nenhum corte em qualquer ponto da curva de 2026.

O índice de inflação de junho fez o resto do estrago, e a aritmética por trás disso não é sutil. O headline a 3,5% A/A contra um limite superior de 3,75% inverteu a taxa de juros real de volta para positiva após dois meses negativa, e o núcleo a 2,6% amplia essa diferença para mais de um ponto percentual. Um metal que não paga nada não pode argumentar contra uma taxa de juros que pode subir e não cair.

Os donos mudaram, e a história não

Os fluxos de fundos de junho explicam a forma dessa fita melhor do que qualquer manchete. Produtos negociados em bolsa com lastro físico registraram uma saída de aproximadamente US$ 8,9 bilhões ao longo do mês, segundo dados do World Gold Council, reduzindo as participações em 74 toneladas para pouco mais de 4 mil toneladas, com a maior parte da saída na América do Norte, enquanto os investidores buscaram rendimento em outros lugares. O primeiro semestre ainda registrou saldo positivo, com cerca de US$ 8 bilhões em entradas líquidas, e os fundos asiáticos responderam por um recorde de US$ 12 bilhões disso.

Essa divisão regional explica uma fita que nem desaba nem se recupera. Alocadores ocidentais vendem o metal quando as taxas reais sobem, e compradores asiáticos o acumulam por razões que não têm nada a ver com a próxima reunião do Federal Reserve. O resultado é um piso logo abaixo de US$ 3.950 que continua segurando, enquanto todos os ralis desde junho morrem abaixo das médias móveis. Uma desvalorização de aproximadamente 28% desde o recorde de janeiro, perto de US$ 5.600, não produziu nenhuma capitulação.

Os dados que o metal precisa sobreviver

A decisão de quarta-feira chega sem um novo conjunto de projeções, então a linguagem da declaração e a coletiva de imprensa às 18:30 GMT carregam todo o sinal. Quinta-feira traz o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE) central de junho às 12:30 GMT, com consenso de 0,2% A/M e 3,3% A/A contra 0,3% e 3,4% anteriormente, juntamente com a primeira estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre a 2,1% anualizado e os pedidos de seguro-desemprego a 200 mil contra 187 mil.

As evidências americanas desta semana foram fracas e o metal não foi recompensado por isso. A média de quatro semanas de contratações privadas desacelerou novamente para 15 mil de 16,25 mil, e a confiança em julho moderou para 90,8 contra expectativas mais próximas de 92. O índice de situação atual ficou mais fraco pelo terceiro mês consecutivo e o componente de expectativas ainda está abaixo da linha de 80, historicamente associada ao risco de recessão. Dados fracos compram Ouro apenas quando compram cortes de juros, e isso não acontece mais.

Níveis técnicos

Resistência: O teto da sessão perto de US$ 4.075 é a primeira linha, com a área de US$ 4.150 que conteve todas as tentativas deste mês acima dela, e a Média Móvel Exponencial (EMA) de 50 dias perto de US$ 4.200 marcando o teto estrutural após cruzar abaixo da de 200 dias perto de US$ 4.300 no início de julho.

Suporte: A marca de US$ 4.000 é o único nível que importa antes da decisão, e abaixo dela, o fundo de final de junho, pouco abaixo de US$ 3.950, é o piso de toda a faixa de verão.

Viés: Baixista. Ralis até US$ 4.075 são para venda enquanto ambas as médias declinam acima, com a marca de US$ 4.000 e depois US$ 3.950 como objetivos. O Índice de Força Relativa (RSI) estocástico diário perto de 63 deixa espaço para baixo. Um fechamento diário acima de US$ 4.150 invalida.

XAU/USD daily chart

Perguntas Frequentes sobre Ouro

Por que as pessoas investem em Ouro?

O ouro desempenhou um papel fundamental na história humana, sendo amplamente utilizado como reserva de valor e meio de troca. Atualmente, além de seu brilho e uso em joias, o metal precioso é visto como um ativo de refúgio seguro, o que significa que é considerado um bom investimento em tempos turbulentos. O ouro também é amplamente visto como uma proteção contra a inflação e contra a desvalorização de moedas, pois não depende de nenhum emissor ou governo específico.

Quem compra mais Ouro?

Os bancos centrais são os maiores detentores de ouro. Em seu objetivo de apoiar suas moedas em tempos turbulentos, os bancos centrais tendem a diversificar suas reservas e comprar ouro para melhorar a força percebida da economia e da moeda. Altas reservas de ouro podem ser uma fonte de confiança para a solvência de um país. Os bancos centrais adicionaram 1.136 toneladas de ouro, no valor de cerca de US$ 70 bilhões, às suas reservas em 2022, de acordo com dados do World Gold Council. Esta é a maior compra anual desde o início dos registros. Bancos centrais de economias emergentes, como China, Índia e Turquia, estão aumentando rapidamente suas reservas de ouro.

Como o preço do Ouro se correlaciona com outros ativos?

O ouro tem uma correlação inversa com o Dólar Americano e os Títulos do Tesouro Americano, que são ambos importantes ativos de reserva e refúgio. Quando o Dólar se desvaloriza, o ouro tende a subir, permitindo que investidores e bancos centrais diversifiquem seus ativos em tempos turbulentos. O ouro também é inversamente correlacionado com ativos de risco. Um rali no mercado de ações tende a enfraquecer o preço do ouro, enquanto vendas em mercados mais arriscados tendem a favorecer o metal precioso.

Do que depende o preço do Ouro?

O preço pode se mover devido a uma ampla gama de fatores. Instabilidade geopolítica ou temores de uma recessão profunda podem rapidamente fazer o preço do ouro disparar devido ao seu status de refúgio seguro. Como um ativo sem rendimento, o ouro tende a subir com taxas de juros mais baixas, enquanto o custo de dinheiro mais alto geralmente pesa sobre o metal amarelo. No entanto, a maioria dos movimentos depende de como o Dólar Americano (USD) se comporta, pois o ativo é precificado em dólares (XAU/USD). Um Dólar forte tende a manter o preço do ouro controlado, enquanto um Dólar mais fraco provavelmente impulsionará os preços do ouro para cima.