Reino Unido: Riscos para a Libra Esterlina sob a ótica do ING

As finanças públicas do Reino Unido enfrentam pressões crescentes de gastos, especialmente em defesa, saúde e cuidados sociais, além de custos elevados com juros da dívida. Isso ocorre apesar de uma consolidação fiscal em andamento, impulsionada pelo congelamento dos limites de impostos e pela redução na emissão de títulos do governo (gilt issuance).

O ING destaca que, embora o Reino Unido esteja passando por uma consolidação fiscal significativa desde 2021, com o congelamento dos limites de impostos em termos nominais, a inflação tem elevado a arrecadação tributária como proporção do PIB. Contudo, os economistas alertam que potenciais mudanças nas regras fiscais ou nos benefícios fiscais sob o governo do Primeiro-Ministro Burnham podem desestabilizar os investidores e trazer os riscos fiscais britânicos de volta ao foco.

Inicialmente, a nomeação de Burnham gerou otimismo por seu compromisso em manter as regras fiscais existentes, o que, em teoria, impediria pacotes de estímulo que aumentassem a emissão de títulos ou alterassem o cenário para o Banco da Inglaterra (BoE). No entanto, a abertura recente de Burnham a mudanças mais amplas, como o aumento da dedução isenta de impostos e maior financiamento para cuidados sociais, não descarta um orçamento mais ousado.

Investidores estarão particularmente atentos a qualquer notícia sobre ajustes nas regras fiscais no período que antecede o primeiro orçamento de Burnham, previsto para outubro ou novembro. A sensibilidade do mercado a essas questões fiscais é um ponto crucial a ser observado.