O ouro (XAU/USD) registrou uma forte queda nesta quarta-feira, após o presidente dos EUA, Donald Trump, declarar que o acordo de cessar-fogo com o Irã estava “encerrado” e que lidar com Teerã é “uma perda de tempo”, durante sua fala na Cúpula da OTAN em Ancara, Turquia.
No momento da escrita, o XAU/USD negociava em torno de US$ 4.055, revertendo a maior parte dos ganhos registrados na semana anterior.
As declarações do presidente americano ocorreram após novos confrontos entre os Estados Unidos e o Irã durante a noite, na sequência de ataques a navios comerciais perto do Estreito de Ormuz.
A mais recente escalada representa a mais significativa violação do acordo provisório EUA-Irã desde que entrou em vigor em 17 de junho, impulsionando o Dólar Americano (USD) e os preços do Petróleo Bruto, ao mesmo tempo em que diminui a demanda pelo metal amarelo.
O petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) negociava em torno de US$ 73,50 por barril, com alta de mais de 7% no acumulado da semana.
A recuperação nos preços do petróleo reacendeu preocupações com a inflação, com a ferramenta CME FedWatch mostrando a probabilidade de uma alta nas taxas de juros do Federal Reserve (Fed) em setembro subindo para 68%, ante 58% no dia anterior.
Custos de empréstimo mais altos tendem a pesar sobre o ouro, pois os investidores favorecem ativos que rendem juros. Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA permaneceram elevados, com o rendimento de referência de 10 anos mantendo-se em torno de 4,57% nesta quarta-feira, próximo ao seu nível mais alto desde o final de maio.
As atas da reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) de junho, a serem divulgadas mais tarde na sessão americana às 18:00 GMT, serão acompanhadas de perto em busca de pistas sobre o próximo movimento do Fed.
Por enquanto, a ação do preço do ouro permanece impulsionada pelas expectativas de taxas de juros, ofuscando seu papel tradicional como hedge contra a inflação e ativo de refúgio seguro.
O metal precioso está sendo negociado quase 28% abaixo de sua máxima histórica de cerca de US$ 5.600 atingida em janeiro e permanece vulnerável a novas perdas em meio a um cenário macroeconômico desfavorável.
Mesmo assim, a perspectiva de longo prazo permanece sustentada pela demanda estrutural de bancos centrais e investidores institucionais, o que pode ajudar a limitar quedas mais profundas.
Análise Técnica: XAU/USD desliza em direção ao suporte de US$ 4.000
No gráfico de 4 horas, o XAU/USD mantém um tom de baixa no curto prazo, pois o preço permanece abaixo da Média Móvel Simples (SMA) de 100 períodos em US$ 4.128.
O metal amarelo está recuando de máximas recentes e permanece limitado por uma densa estrutura de resistência superior, enquanto os indicadores de momentum reforçam o viés de enfraquecimento: o Índice de Força Relativa (14) caiu para perto de 38, e a Convergência Divergência de Médias Móveis (MACD) tornou-se negativa com um histograma em declínio, sugerindo pressão de queda persistente.
Na ponta superior, a resistência imediata está localizada na SMA de 100 períodos, perto de US$ 4.128, seguida pela barreira horizontal em US$ 4.200 e pela SMA de 200 períodos em US$ 4.260, antes que uma resistência mais forte surja em US$ 4.400.
Na ponta inferior, o suporte inicial é visto no nível horizontal de US$ 4.000, onde uma quebra provavelmente abriria caminho para uma queda corretiva mais profunda, enquanto a manutenção acima deste piso manteria o XAU/USD em uma fase de consolidação baixista abaixo das médias móveis mencionadas.


